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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Ilhas do Outono




Um brado bravo ouve nesta primavera
O cálice de perfumes êxtase que se quebra
Inebriante aromas de arroios  brandos
Incólumes brisas na suavidade da vida

Nas quimeras do labor fausto a insígnia
Dos bravos mais intrépidos clamores a insônia
Desfechos dos frutos da real frugalidade
A quebra dos vitrais azuis de meus sonhos

Capins rasteiros cidreiras e salgueiros
Os vastos campos desses verdes mares
Das laranjas e cerejas em tais pomares

Cada doce flor desse nobre pessegueiro
Que espalha o pólen e liberta as vivas cores
Desde sentinela do Sul até o confim dos açores

Clavio J. Jacinto

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Chuva de Lagrimas




Das alturas tantas nuvens do frio aguaceiro
Nas terras áridas de  jardins desfalecidos
Caem singelas gotas desses terraços celeiros
Os parcos botões líquidos  caem amortecidos

Suaves tempestades que nutrem a terra
Nos poços que secos descansam ressequidos
Das sementes  que na fratura do solo encerra
As ervas que emergem pelos duros  gemidos

A vida erguida desses celestes prantos
Das acácias que surgem em todos os cantos
Até o esplendido que navega ao fabuloso

Dos termos invernais no nobre encanto
Quando os frutos tais almas do pão santo
Encerra a vida em laços maravilhosos.


CJJ

Lamentos




Se eu grito, e desdito minhas transcendências
Num dito que clama meus pesados pesares
Um gemido que sorve a doçura da essência
No bramido que estreme as ondas dos mares

Uma profunda torrente de águas lustrais
Um breve cântico regado á carpidura
Queixume nos átrios dos comensuráveis ais
A lamuria épica de frondosas ataduras

Se eu grito e choro meus lúcidos rugidos
No ranger da alma e coração compungido
Chora Jeremias profeta tão lastimoso

Que ofensas ferem mais cada ferido
Que feridas ferem mais o profeta ofendido
Que foge da sapiência do brado penoso


 Clavio J. Jacinto


A Lua na Noite


A Lua na Noite

A lua navega no mar celeste estrelado
Faz meus sonhos naufragarem nesse jardim
No fundo da noite de chão relvado
De acácias espinhos poeira e jasmim

A noite do mar orbital está ancorado
Que sopra minha alma de angustia em ventania
De rosas e cravos do frescor perfumado
No vácuo da luz que paira da lua vazia

As cigarras entoam a canção natalina
Sequóias e nuvens e o fogo ilumina
As vastidões que crepitam no meu pensamento

O sabiá amarelo que canta o amor
Dos pássaros de névoas e o doce sabor
Das rosáceas pétalas e etéreos pigmentos



Clavio J. Jacinto

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Soneto em Profundidade




Quando amanhece em luz brilhante
Nas praias e nas florestas ouço um pulsar
De ondas que se quebram espumantes
Do sabiá que sinfônico mescla um cantar

Onde a vida se faz mais  glória e beleza
Numa relva que fornece lindas flores
Ah! Tão esplendida e doce é a bela natureza
De cores simples em sol de esplendores

Das proezas dessas rosas tão rosada
O pessegueiro florido e geadas douradas
As sombras das montanhas que se escondem

Tão pura é a tal  nevoa da madrugada
Que revela as curvas íngremes de uma estrada
Onde pias almas peregrinas percorrem


Clavio J. Jacinto



terça-feira, 14 de maio de 2019

Grito Sonoro





Quando as nuvens escondem a dor noturna
Essas lamentações feitas de orvalhos frios
Num tempo que balança no pendulo da dor
As ondas de densas e fortes calamidades

Quando a noite esconde as cores das flores
As recamaras das estrelas em vastidões de ecos
Gritos soníferos e um coração partido
Nas caladas de breves ausências nupciais

Tudo se rebela como folhas sem destino
Num caustico e mais violento desatino
Nesse tormento a beira lúdica do cais

Num torvelinho de tristes gemidos
De chagas abertas por quem do mundo ferido
Cala-se para libertar-se de todos víscidos ais.

Clavio J. Jacinto

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Coração e Gelo


Se ontem meu  vil duro coração frio
Sem nada a não ser no gelo, pairava
Numa estação sem vida, que retinha
Todas as flamulas mortas no silencio

Eu quebrado entre pedras, sonhava
Na sentença de um réu que chorava
A lapide desse vaso e a envergadura
Que coração seco, oh coisa tão dura

Mas dentro de mim, um tanto brotou
Semente de amor, lá em si germinou
No fundo do poço, do meu vil coração

Jardim de cores vivas, em mim brotou
Laço da ternura que tanto desabrochou
No profundo  ser, na minha imensidão


Clavio J. Jacinto

quarta-feira, 23 de março de 2016

Outono e Primavera


Quando sonhamos com a primavera
A vida interior floresce, um jardim
Um céu de flores um brilho na alma
Um regato que destila o orvalho rosa

Quando sonhamos com um outono
A vida frutifica no coração, em nós
Um mar de aromas, uma cereja doce
O fio de perfumes que escoa no tempo

Sonhar é como navegar no faz de conta
Com a diferença que vivemos um sonho
Como se essência da vida, viesse de lá

É algo inusitado, um o pêssego maduro
O beijo, atadura da alma sofrida ferida
cultiva na esperança, o outra vez sonhar


Clavio J. Jacinto


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Peregrino




Alma descalça, peregrino sou
Caminhando em espinhos e pedras
Nas colinas não descanso e vou
Nas bases de afetos e sonhos

A estrela vespertina eu sigo
Iluminam todas as minhas pegadas
Nesse vasto caminho antigo
A essencia da alma marcada

Sou alma vestida em ataduras
Firmados em passos na rocha dura
Abrigo em fontes e mananciais

De fé é a alma, estruturas
De puro branco e nela candura
Marcadas em devoções sapienciais

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Criança aos meus proprios olhos



Parece que foi ontem, que vi
Os campos cheios de geada
Meus brinquedos de natal
Minha face de criança corada

Me olhando no espelho e sonhando
Com o dia em que iria crescer
Pra ter a minha sonhada liberdade
De meus pais não mais depender

Então cresci, e nem percebi
Que minha infância passou
O nó do tempo se desatou

Hoje, olhando-me no espelho, senti
A vontade de no tempo voltar
E aos braços de meus pais, me amarrar....


Clavio J. Jacinto

Orbe



Terra: meus olhos vãos, vejo
Gentes, nos pálidos cortejos
Deposito de dores e finas alegrias
A noite escura e a luz do dia

Orbe: choros e densos sorrisos
No campo santo há tantos avisos
Regias lições que aprendemos
A ficta promessa, não aprendemos

Vida: tem fim, é tão breve
Como pluma suave é, mui leve
corre, escoa, derrama....rapidamente

Mundo: todos aqui nós estamos
Como vento, voamos, nós vamos
Pra todo sempre e eternamente



Clavio Juvenal Jacinto

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A CHUVA


A CHUVA

Chuvas noturnas em todo meu ser
Alma rasgada, completa e rasgada
Na rua se perde, na madrugada
Que os puros rios não podem conter

Limpa minha alma, na chuvarada
Que o morro, faz sempre ela correr,
O lago fecundo vai tudo sorver
A alma, a chuva e toda alvorada

Lá vem a chuva toda molhada
A minha alma toda penada
Que das nuvens secas vem descendo

Respingos chorados bem molhados
O vento que sopra  por todos lados
Chora o céu, o sol perecendo

Clavio Juvenal Jacinto

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Mares bravios

E o mar segue adiante em seu bravo rumor
Buscando os sonos cobertos de sombras imperfeitas
entre vales lindos de sombras aconchegantes
nas trilhas rasgadas por taçãos quebradas

Derramastes esse aroma de amor tangerina
nas varandas do ermo do tédio que aponta pra cima
castelos de gelos erguidos em lampadas acesas
suportando os devaneios de sabios  desconsolados

A ausencia de nevoas tranquiliza o coração
esse é o sentido exato da vida tão perene
garras de folhas em apriscos solenes

E eu vagando por espinhos que perfuram afeições
todo confuso, como a  marcha das ondas na areia
acordo pro sono de tantas coisas sonambulas.


CJJ




Soneto ao amor




Ainda vejo as flâmulas de teus olhos inocentes

Viestes como um anjo a dar celestiais  cores a mim
Num começo perene de sorrisos como amoras silvestres
Numa sinfonia de flores que arrebatam sonhos em olencia

Vejo  teus olhares lapidados por corações incertos
Num campo de relvas e plasmas de sangue purificado
Até que o uníssono de vozes santificadas una o amor glorificado                      
Associe tudo dentro nós com coisas singulares

Vejo teus olhos como lagoas que espelham o luar
Como face de lua cheia que derrama luzes na beira do mar
Flores selvagens que naufragaram dentro do porto de minha alma

Os  vales das alfazemas aplaudem nosso abraço
As constelações cantam o gozo de nossas aventuras
Porque os bálsamos já consagraram o horizonte da nossa jornada


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Cancioneiro adormecido

Meus atrios estão floridos e de esperança cintilam entre os montes
como a rainha Rosajade entre os muros da cidade imaginaria
Perenes dançam com os canticos da  Flordália que ergue a voz doce
entre seus espinhos, removidos da coroa de quem brotou todas renovações

Eu relembro das letras e frases de um Topazio azul de areola celestial
nas esferas e iluminarias de meus livros abertos em eternos sorrisos
A coroa do rei Rubialfa reluzindo entre montanhas de inverno espelhado
promovendo a brancura das sendas despidas de vaidades outonais

Cai geada, entre estrelas de marfins, acendidas por sopros consoladores
aperfeiçoa a face da princesa Rosamalia que dorme entre os porticos glaciares
estendendo as mãos purificadas para acariciar as profecias de u amor distante

Eu me vejo sozinhos pelos cantos solitarios de um universo cheio de blocos
onde os passaros cantam rimas que a minha alma decifra dentro do coração,
imagino eu e escrevo, sonhando a noite que passa como as brasas de um rubi

Clavio J. Jacinto

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Espelho solitario


 Refletindo a imagem que de cima se aproxima e tão longe
como as hostes de nuvens e neves que se acumulam aqui em baixo
sobre mantos de respostas dos enigmas que não foram decifrados
o odor das sombras que escondem o céu do sol da noite passada

Voa os limoeiros e seus perfumes acidos por entre as paredes desse tempo
as colinas delirantes imergidas no caminho das aguas tranquilas
tal como se fossem pontas de agulhas dos pinheirais
arados soltos correndo rasgando a tempestade nesses outeiros astrais

As fagulhas das estrelas não queimam minha angustia
outrora escrevi nas bolhas das aguas ensaboadas
agora no lago quieto, rompeu minhas roturas esquecidas

Vai espelho de aguas, solitario,  pelas bagagens siberianas
antes, eu vou desistir de esperar o passado outra vez voltar
dele apenas me lembro, que o amor adormeceu no mar

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Outono



Vem com teu açucar, seiva de vidas outonais
Como unguento de terra distante
como o açucar mascavo, fortificante 
O bordo dos campos longiquos no jardim

Vem com os setes caminhos da paz
do fogo vermelho em um instante
que vem como estação e passa adiante
vem como mosto de petalas pra mim

Vem e se achega no meu aconchego
do frio sozinho tenho medo
quero ser folha a revoar

Vem com amor ao meu apego
depressa na aurora e mais cedo
quero as cores da vida cantar

CJJ

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Outono


Vem com teu açucar, seiva de vidas outonais
Como unguento de terra distante
como o açucar mascavo, fortificante 
O bordo dos campos longiquos no jardim

Vem com os setes caminhos da paz
do fogo vermelho em um instante
que vem como estação e passa adiante
vem como mosto de petalas pra mim

Vem e se achega no meu aconchego 
do frio sozinho tenho medo
quero ser folha a revoar

Vem com amor ao meu apego
depressa na aurora e mais cedo
quero as cores da vida cantar



Clavio Juvenal Jacinto

Papel Celofane


Quando eu passar pelo noite de teus olhos
e rever o odor de teus sonhos mais lindos
quando fluir da saudade, o orvalho das manhãs
e colher o açucar dos figos maduros

Quando de nau nas mãos ressoar com as aguas
e em ermos gelados ouvir as mas frouxas promessas
quando o lado oposto do coração estiver todo atado
e a chave do reino da noite, as janelas abrirem

Firmarei meu rosto no canto suntuoso da alma
teu olhar será meu rico apanagio, herança que despertou
os joelhos firmes correrão por essas faias

Quando eu chegar  na ponte que liga as alturas
como presentes embrulhados em papel celofane
meu coração transbordará por ti de transparencias


Clavio J. Jacinto

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

AMOR LUA E MEL



Que venha sempre a amar sem nunca me esquecer que amei
Pois amando a ti como noive e esposa, sempre amando e indo
Por voltas da vida, volto sempre vindo com doce amor
Como um coração que reluz presente na porta do céu

Foi luz de farol esse amor que tanto amo
De tantas vontades espremidas no momento da saudade
Outrora visto como todos os tons das cores maiores
Vem amor, crescido nos ombros de esplendores

Sei que vindo com a mão que celebra o afeto
Com ímpeto não vai como as ondas que nunca dizem “adeus”
Mas como os mares és, que feres sem deixar cicatrizes

Assim nós dois num mesmo sentido de ver o eterno romance
Ficamos como almas apegadas como as pétalas das flores silvestres
Celebramos juntos os favos desse matrimonio com mel e sem lua


CJJ