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quarta-feira, 17 de abril de 2019

O Homem Sarcástico


Um grupo de homens sisudos, faces arcaicas que pintam o medo, conversam entre si o desastre do mundo, a história é uma montanha de dores, mar de sofrimentos que já transbordou. Um ausente da assembleia acaba  de chegar, ri das mais épicas


tragedias do homem, e da estridentes gargalhadas, pois o medo assassinou a paz. Que espanto! esse insensato desperta, insulto de risos que ofende o rosto do choro, e que das profundezas do coração, o homem se perde em seu próprio abismo, quando acha a satisfação na desgraça...

Clavio J. Jacinto

A Nuvem Colossal



A terra árida devastada ardia em solidão. As arvores morreram nas montanhas, o céu insólito soprava o halito da sequidão. Na noite, estrondosa via e colapsos sonoros, como se estrelas na infância do faz de conta lutassem com espadas, num guerra cósmica. E dessa guerrilha noturna faíscas e relâmpagos, e os pingos de chuvas caem, ressuscitando o perfume da terra, o petrichor, Quem são essas gotas? o choro das estrelas viúvas que perderam os filhos na batalha celestial. E a terra seca, que recebe tais choros ofegantes, devolvem vapores que a fúria dos ventos remete para o alto. Lá no ermo no desatino solitário, forma-se a nuvem colossal. Essa é a orvalho abundante, que  de outrora amargura,  irriga o campo e a semente da rosa germina nas areias do campo dos mortos. E como as rosas nascem com os espinhos, esses pontiagudos dedos que ferem e apontam para as alturas, onde a guerra se alastrou e que mais suscita a arte do ferimento, senão que do estouro das nuvens, pereceram no combate as joias silenciosas incrustadas na coroa de todas as noites. Assim procedem as chuvas...


Clavio J. Jacinto

terça-feira, 16 de abril de 2019

O Desastre do homem Borboleta



Um jovem soldado valente desceu até o jardim, contemplou as flores e uma borboleta que flutuava entre o santuário da relva verde e as flores depois do inverno Desejou ser uma  borboleta e assim tornou-se  uma. Veio o vento, brisa santa do mar e sobrou sobre ele, empurrando-o para longe do jardim, e caiu de semblante aflito entre a poeira da estrada.  Na tontura da desventura, um tombo, bateu asas e fugiu pra mata, perdido entre ciprestes e o fogo da lareira voou acima da copa das arvores e o fôlego da noite o engoliu até a mais densa escuridão sem rosas. Que medo!  Fruto do susto e o temor nessas paragens, nos penhascos da ultima ribanceira, e então desejou ser homem novamente, e num “piscar de olhos” virou moleque sem teto, perdido na vida, delinqüente de si mesmo, tal é o ditame na terra dos insensatos, que quando um homem quer perder-se na vida, basta apenas ficar sonhando com as coisas absurdas

Clavio Jacinto