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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Espera

 Espera

 

Se as pressões da vida em apertos te angustiam,
e a existência parece um fardo a queimar,
se em provas de fogo as ânsias se ajustam
e a alma vacila sem poder respirar,

espera — pois o carbono, sob tanta pressão,
não grita, mas gera diamante no chão.

Se o cerco se fecha, te esmaga o destino,
e o peito é um recinto de sombra e de dor,
se o silêncio é um golpe, o sufoco assassino,
e a fé vacilante já perde o valor,

espera — pois a larva, em seu cárcere escuro,
tece as asas que rompem o véu do futuro.

Não fujas do crisol, nem negues a prova:
a gema e a asa nascem do aperto.
Só quem suporta o que o tempo renova
sabe que o fim do túnel é o começo do aberto.

 

C. J. Jacinto

O Tear de Névoas

 O Tear de Névoas




C. J. Jacinto




Dois pequenos reinos existiam ao sul do meridional norte, eram opostos em valores, o primeiro chamava-se pradator e era um pequeno campo com alguns prados e um rio , chamado Pisio, que irrigava todos os seus contornos. O rio serpenteava todo o Reino e então mergulhava para o profundo da terra, assim surgia e assim terminava seu curso sobre Pradator. O reino era cheio de flores, videiras, macieiras, cerejeiras, castanheiras, e seu rei, um homem cheio de virtudes. O outro reino é um território pantanoso, cheio de árvores mortas, um lugar onde as Névoas repousam como se fossem lápides de sombras. Ali também um rei reinava , um homem cheio de orgulho, inveja e ódio. Aliás basta que um homem transborde em orgulho para que as sementes de todas as outras malícias cresçam dentro do coração. Os dois reinos eram singulares, não haviam súditos, os reis eram solitários, viviam numa solidão mas no caso do rei de Pradator, ele cultivava o campo, assistia o comércio das borboletas e abelhas, transportando pólen, as formigas carregando pedaços de folhas, havia a colheita de amoras silvestres, as uvas e a fabricação do vinho no lagar e o por do sol seguida da noite cuja escuridão, empurrava as estrelas para trás dos prados enquanto os pirilampos passeavam pra lá e pra cá.
O rei dos pântanos, vivia escondido nas sombras e nas Névoas,  aquele lugar parecia ser o jazigo de uma noite eterna. O contraste dos dois mundos, tão perto e tão distantes,  e cada rei satisfeito no seu reino. A apreciação do mundo exterior é antes um reflexo da vida interior. Mas um dia, surgiu os tentáculos da inveja no coração do rei dos pântanos, sua revolta se deu ao subir em uma das árvores mortas e ver os prados floridos e as florestas de castanheiras , ipês amarelos e as videiras que revestiam algumas pequenas colinas de Pradator.


Ele armou-se com sua lança de ossos e revestiu-de sua armadura rústica de couros. Seu intento era invadir e matar o rei de Pradator para tomar posse de tudo e anexar ao seu pântano. A notícia porém chegou aos ouvidos do Rei de Pradator que ouviu os pensamentos que o coração do rei do pântano dizia  E, se preparou, tomou sua lança de prata, vestiu a sua armadura de bronze e calçou seus sapatos de cobre. Os pássaros cantavam tristezas, nuvens escuras começaram a cobrir o céu azul de Pradator, as abelhas e as borboletas se esconderam, as flores tomaram seus perfumes e as árvores frutíferas esconderam seus frutos. Tudo parecia se retrair perante a presença sombria das intenções do rei do pântano. Um coração que se escurece pela inveja torna-se uma alma miserável, e assim o conflito era iminente e inevitável.
Os dois reis se encontraram no vale de Arkon, território de Pradator, o rei do pântano era o invasor e o outro o defensor. Infringiram ambos, ataques, mas o rei de Pradator perdeu sua lança de prata, o que segundo a lei dos nobres, era o perdedor, perder as armas era considerado como perder a própria vida, da mesma forma como entendemos hoje que perder o ânimo de viver e perder a gratidão pela existência.
O rei de Pradator então saiu cabisbaixo da batalha, entregou o reino ao vencedor e desceu para o abismo dos mares. Solitária alma no fundo de um oceano de prantos, ali estava o rei derrotado, porquanto o vitorioso com sua lança de ossos fere os carvalhos e as videiras, as abelhas e as flores choram, as estrelas se escondem por trás dos prados, as borboletas se refugiam nas penhas,  a terra sangra sofrimento é o fim do mundo  .
O rei do pantano toma um pergaminho, e vai narrar sua vitória, absurdo obsoleto que os inimigos dos fatos escrevam a história, a vitória é apócrifa quando a maldade deseja descrever sua luta insólita contra a bondade.
Acaso podem as trevas dominar a luz? As demandas da vida real ensinam que elas subsistem na ausência dela. Pradator sofreria uma metamorfose inversa, da matriz de todas as estações se transformaria em um pântano sombrio? Aos olhos de quem não contempla as flores toda a sombra parece uma obra de arte, e se a luz revela a alma da beleza, a escuridão apenas esconde todas as suas formas. Só uma alma doente pode deleitar-se com a mentira, pois o homem bom sempre sofrerá quando ela reina sobre os outros homens. O rei de Pradator precisa reagir,  e frente a carcaça de um navio que jaz na inércia de um naufrágio súbito,  como uma estrela do mar, quer seguir rente a praia, e como o sol, quer punir a madrugada fria com a luz possante do amanhecer, a aurora e a ressurreição de uma tarde que dormiu no túmulo da noite.
É preciso ter coragem, pois em dias tenebrosos a coragem é a virtude que abre o caminho da esperança, a coragem é uma grande virtude que não cabe em corações mesquinhos. O rei de Pradator reage ante a situação, entra no seu reino devastado, encontra a sua lança de prata jogada no lamaçal das lágrimas das nuvens. Ele toma a lança, procura o seu inimigo, e ao encontrá-lo grita em desafio , pois vai confrontar novamente o rei das trevas. O rei do pântano se surpreende pela coragem do retorno do seu adversário, e com uma risada sarcástica avança furioso contra o rei de Pradator. Porém a luta tornou-se acirrada, e finalmente o rei do pântano recebeu um golpe fatal, sua lança caiu longe, o rei vitorioso correu até o artefato de ossos, e tomando uma espada, despedaçou-a completamente, o rei do pântano soltou um grito agonizante, correu para o seu trono e afundou na lama fétida do seu obscuro reino lamacento.
 Répteis e bichos peçonhentos imergiram na lama com ele, naufrágio de todas as maledicências, mergulho de todos os assombroso.
O pantano começou a secar-se, pássaros de Pradator começaram a  levar sementes ao solo ressequido do reino morto, beija flores molhavam suas asas no rio Pisio e iam até lá para baterem suas asas molhadas e irrigar a terra seca do jazigo das lamas ressecadas, e o deserto floresceu, o Rei de Pradator anexou todas as terras conquistadas ao seu reino, as borboletas saíram de seus esconderijos, a vida voltou ao normal, a luz triunfou sobre as trevas, a beleza sobre a feiúra, a verdade sobre a mentira.
Até hoje, Pradator é um reino de força , crianças vieram para habitar no reino bem aventurado, Pradator tornou-se uma referência na importação de virtudes como coragem e resiliência, e através da magnífica história do seu reino, cabe aos historiadores falarem sobre o poder do amor sobre a inveja, e da humildade sobre o orgulho.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Estrelas Também Sonham

  

Estrelas Também Sonham

O sonho é uma viagem interna,
No santuário do sono a acontecer.
Lugar íntimo onde o coração pulsa,
Um universo dentro a se estender.

O céu se veste de estrelas-diamante,
Tesouros puros na imensidão.
Em cantos ermos, de ar rarefeito,
A esperança humana insiste em ser clarão.

Quando a alma se acende, tudo é fogo,
Chama que ateia a própria inspiração.
Estrelas e sonhos se fundem em acordes,
E, de mãos dadas, vencem a escuridão.

Planetas soltos no infinito imenso
Anseiam por essa dança singular.
Mas o pobre sonâmbulo desperta na aurora,
E o fio dos sonhos se rompe ao despertar.

 

---C. J. Jacinto---

As saídas da vida

 

 As saídas da vida

No reino do coração, campos floridos e sertões, perfumes e aromas balsâmicos, perenes rosas de esperança, princípios e fundamentos do amor.

A alma livre. Chuvas fertilizantes no telhado — a terra lacrimal ferida pelo arado. Cores outonais pelas brechas do vento.

A saída da vida transcendente, o coração incandescente, fogo da esperança, as virtudes que brilham na noite, as turquesas dos temporais de orvalho, acústicos pulsares dentro de mim.

Vida após a vida.

 

--- C. J. Jacinto---

 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Sem Medo do Simples



Não tenho medo de abrir meu coração
à simplicidade da vida.
O universo da primavera se desabrocha,
a plenitude das chuvas da tarde,
o agora que tece cada instante,
as janelas amplas dos sonhos,
o lugar onde o medo se desfaz,
o caminho por onde flutuam sentimentos,
a foz das experiências mais profundas.

Sou eu mesmo, navegando em incógnita,
solitário das nuvens,
mas que, de momento a momento,
vive o inefável
e experimenta o numinoso.

terça-feira, 30 de junho de 2026

LUZ DO AMANHECER

 LUZ DO AMANHECER

Deus nos deu um amanhecer espiritual,
uma esperança e um tesouro sem igual.
Luz bendita que alumia o porvir,
que aniquila a escuridão a ponto de a extinguir.

No inverno voraz, essa luz nos aquece;
a noite escura que passa e esvanece.
Nas trevas assoberbadas de outrora,
faz fulgurar a extrema luz da aurora.

O tempo, o vento e a tempestade
tudo cessa diante da Divina Majestade.
Uma esperança e um anseio tão ardente:
verdadeira alegria se fará presente.

Que grande riqueza, mais valiosa que o ouro!
Deus deu-nos um livro: grande tesouro.
Guia e mapa das veredas celestiais,
que tanto nos concede graça ainda mais.

Deus nela revela o Seu Filho amado,
a fonte de consolo e amor santificado,
nossa remissão eterna,
através do Cristo crucificado.


— C. J. Jacinto

 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Espinhos na Tempestade




Fragilizado, meu coração é açoitado  

por tempestades furiosas.  

Sob o peso da dor de sonhos despedaçados,  

oscilo entre a incerteza e a fé.


As náuseas me acometem.  

Espinhos profundos laceram meu peito,  

martirizam a alma —  

mas não me levarão ao naufrágio.  

O mar é profundo, sim,  

mas a eternidade é infinita.  

E eu me recuso a sucumbir.


Os ventos sopram com fúria.  

À deriva, busco um destino.  

Olho o céu: o brilho da luz  

oculta-se atrás de nuvens densas, sombrias.  

Abaixo, ondas encapeladas  

agitam-se como bocas vorazes,  

prontas a me engolir.


Habita em mim um temor profundo,  

que nada neste mundo apazigua.  

Todavia, volto os olhos ao firmamento.  

Meu coração também anseia por esse horizonte,  

esperando que uma fresta se abra  

e a luz celestial enfim me ilumine.


Embora os grilhões da nostalgia tentem me deter,  

prossigo resoluto em meio à tempestade.  

Quero alicerçar meus passos  

numa esperança que transcende o efêmero  

e se ergue, inabalável, diante da eternidade.


Para transcender o abismo  

do meu próprio colapso  

e alcançar a libertação,  

volto meu olhar ao Cordeiro de Deus,  

que tirou o pecado do mundo.


C. J. Jacinto