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quarta-feira, 28 de março de 2018

Portos Pascais



PORTO PASCAIS
(I)
Palácios de mármores acariciam o frio
As revoadas de pássaros em suma de nuvens
Letras descalças nesses lamaçais lacrimejantes
E eu apenas desapego-me de um mundo surreal
(II)
Ouço a agonia do amor na bigorna da vida
Martelos infiéis sucateiam as virtudes
Num estranho sulco de egos distorcidos
Prisioneiros  arrepiantes do paranormal
(III)
Corro desse seculo onde as mãos de sombras
Tornam-se elos de uma corrente pesada
Elas prendem a razão dos outros imemoriais
Mas da janela das flores ouço o ruido das chuvas
(IV)
Ações libertarias acendem meu coração aceso
Uma estrela vespertina ilumina meu estrado
Os dardos de gelo não alcançam meu medo
Então tenho coragem de olhar pro novo céu
(V)
Ouçam: maltrapilhas almas desse mundo
Quem dera-me tirar-vos desse frio mortuario
Mas na praia dessas redenções busco minha nau
Se quiserem, embarquem comigo ao infinito
(VI)
Pois no porto das estações pascais, eu busco
Em tempéries ventanias dos halitos vitais
Já ouço a canção das harpas e fios do infinito
Chegarei lá, porque as mãos divinas me empurram... 

(Clavio J. Jacinto)



INVERNO DE NOSSAS ETERNIDADES




Andarei entre os sorrisos do dia
Como as nascentes das estrelas em espetáculo
As flores cantam canções silenciosas
Porque algumas musicas
Só o coração pode ouvir
Assim como a face pintada por um sorriso
Mostra aromas infantis de felicidades
Também ouço na orla das estrelas
Bendita vozes do esplendor
(Uma canção divina)
Se a relva dança com a brisa da noite
Minha alma se apega ao espetáculo
O coração precisa enxergar o belo
Para não perder-se entre as sombras
Do cotidiano
Eu bem sei que viver é construir
Escadas que tocam as luzes da estrela polar
Mesmo que em imaginarias sendas
O pensamento desliza por sonhos épicos
(Como perolas em praias de cristais)
Eu sou guardião dessas cenas de amor
Um século e nossos corações se dilaceram
Deixando pra trás um rastro de fogo
Como se todas as inspirações que tivéssemos
Fossem lâmpadas incandescentes
Quem iluminaram o inverno de todas as nossas
Eternidades....(Clavio J. Jacinto)

terça-feira, 27 de março de 2018

CIRCUITO


Gira em ventos e voos
Num insólito esotérico (pleroma)
Gira gira e não se cansa
Moinhos de êxtases na dança 
Gira em volta de si mesmo
Como se fosse degraus celestes
Um toque do mistério volátil
Força terrestre
Estável entre  as faias
As sequencias das palhas
Gira e cai, como geada
Floco de gelo e nevada
Cai e nesse enigma
Eu corro medroso e assustado
Nas ondas dos mares
No subúrbio dos altares
Pois lá onde o mundo também gira
Não fixo sem sentido
Do centro do universo
Do trovão da tarde
O estampido
Acordo e nada mais gira
A não ser meus os átomos...

Clavio J Jacinto

Sistema



Sistema

Corre o pensamento em busca de abrigo
Longe dos fogos de artificio dessa geração
Fugitivo desesperado
Apressado como as faiscas de um braseiro
Percorrendo as fronteiras
Dos umbrais de um passado distante

A neve de aço cai no campo dos gladiadores
O sistema entre em pane e jaz escuro
As falacias de um profeta sem noção
São as palavras repetidas embrulhadas na musica
A sinfonia desajeitada de tambores
Sem gasolina

Suave a alma canta a serenata das dores
Eu grito em tom menor, na rouquidão
Brincando estou de esconde esconde
Com esse destino que se destila nas memorias
As rosas lampejam raios intermitentes
O ruir dos calafrios dos computadores

Mas eu me acho tão infante
Desato as cordas de bronze e os laços de cobre
Acho uma margarida que desabrochou
Levou-me em  seus perfumes aos portais da primavera
Lá nas montanhas eu adormeço
Para voltar a viver na simplicidade


Clavio J. Jacinto



Desencanto



Desencanto

Um (flash) brilhou na face
Percebi a vida com outros tons
Não acredito mais em fantasias

Ações são expressões mais exatas
Do que simples palavras
Pessoas dizem que creem
Mas na verdade são idolatras do ego
A razão humana acreditou na ciencia
Mas as maquinas da guerra
Ecoam no vale desses grandes distúrbios

O homem pode ser racional
Mas já perdeu-se nos antros do orgulho
Não pode acreditar em Deus
Muito menos em si mesmo
São meros bonecos de cera filosofica
Perdidos na encruzilhada
Entre os males e o nada

Quando nascem as flores no campo
As abelhas extraem o mel
Sedento, o homem cava na rocha
Para beber dos mananciais
As nuvens bebem do mar
Choram sobre os vales e campinas
Mas o homem encantou-se
Pela incredulidade do acaso

Eu lamento tanto orgulho
O mundo anestesia nossas almas
Quebrou o encanto desse engano
Ele esta´entesourado para a queima
Seus antros de violencias
Serão consumidos como a pobre palha
Entre choros e mil pesares ingratos

Olho para o horizonte da vida
Não estão ao meu lado, almas sem apego
Vorazes espíritos rebeldes
Deixaram cair as marcaras do disfarce
Sai pra longe de mim satanás! disse o Mestre
Eu também expulso o desencanto
Nessas nevoas que assolam as brasas da aurora

As vertentes do sol já cintilam
São brasas rutilantes no berço da eternidade
No Monte das Oliveiras eu decifro as pegadas
Minha face e meus olhos contemplam o futuro
Quando essas nuvens douradas da tarde
Guardam os lampejos da glória do outro dia

É  mais real ao coração
Ser guiado pela fé em Deus
Do que seguir os conselhos perdidos
Daquelas almas que já não podem mais acreditar
Em nelas mesmas

A magica do mundo caido
Deixou de me seduzir...desencanto.

(Clavio J. Jacinto)
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segunda-feira, 19 de março de 2018

Miriades de Turbulencias

Miriades de Turbulencias

As águas da vida parecem turbulentas
As tempestades tão furiosas
Desperta a minha alma nesses vendavais
A coroa das flores caíram da primavera

Há sobre sopros a chama das águas
Como fogo frio que endurece a alma
Gelo que queima a (queima) roupa
O mel e o fel misturados tão incompatíveis

O frio declara paixão pelos perfumes
O céu apagado suspende as estrelas
No braco, minha pobre alma escorrega
Como folha envelhecida flutuando no ar

Quem dera-me fugir desses torvelinhos
Ter resposta bravas para tardias questões
Fugir do desamparo dos vis ciclones
Correr do assombro desses furacões

As águas da vida parecem turbulentas
Mas é de aço essa esperança ancorada
Quando tudo parece desabar nas tormentas
Confiarei no Senhor e em mais nada...

(By Clavio J. Jacinto)

quarta-feira, 14 de março de 2018

OUTRO DIA


O sol foi embora
Despediu-se na tarde
Dos meus olhos

Partiu para o outro lado
Tanta saudade deixou
Nessa alma sedenta e peregrina

Foi ver o amanhã
Nos deixou nessa noite 
Com ânsias de sonâmbulos calafrios

Por esse tão triste motivo
Adormeço no pó estrelado
Em sonhos trilhando o mesmo
(caminho)


Clavio J. Jacinto.