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segunda-feira, 2 de abril de 2018

Castelos de Sonhos




Ouvi dizer que nesse  vão mundo
Tanta gente sonha em mil vaidades
Recolhendo areias das praias das lágrimas
Contando estrelas no fundo do mar

Cantam os sonhos em dó maior
Dançam nas chuvas das tempestades
Querem possuir todos os rostos da dor
Para fingir que o fazer de conta é real

As águas desgastam tantos sonhos
Quando congelam na nevasca leve
Sonhar com as coisas mais passageiras
Anestesia o engano da vida breve

O que fazer em meio ao caos perene
Da vida que escraviza a filosofia?
Se destilando ao mundo a sabedoria
Apenas fortalecem desejos insolentes

As marchas desse caos prosseguem
O véu disfarça os castiçais dos lamentos
Em busca da breve felicidade terrena
O homem encontra só o sofrimento

Mas se permitires essas névoas evanescerem
Como a fumaça das palhas ao forte vento
Colherás a visão verdadeira e mais distinta
De verdade escondida no dourado momento


A vida em suas mais vivas tonalidades
É  feita de fé alicerçada em solida prudência
Quando deixares as vãs sombras das vaidades
Verás que crer em Deus, não é rotulo, mas essência...


(Clavio J. Jacinto)

O CAMPO E AS FLORES


As flores do campo são estrelas da primavera
Brilham nas cores do arco celeste
Fragmentos do paraíso que incendeiam os olhos
O coração pulsa mais forte que uma supernova

A sinfonia dos ventos se junta aos pássaros
A inspiração é a alma do sentimento que chora
As delicias da doçura dos lírios silvestres
São os pães que saciam a fome pelo belo

Que os aromas dessa brisa fria das manhãs
Cubra nossa alma de santo  esplendor
Pois como a vivacidade de um jardim florido
A vida só ganha brilho quando enxergamos o amor

Este é a visão do alto no cume do firmamento
Onde a vida emancipa-se nas  das luzes da providencia
Quando vivemos o belo pelo caminho seguro da fé
Entramos no paraíso mais rico de toda a coerência

(Soli Deo Glória)

Autor: Pr Clavio J. Jacinto

quinta-feira, 29 de março de 2018

Peregrino Descalço

Peregrino Descalço

Sou peregrino torturado
Meu próprio eu me escraviza
Exige de mim mesmo culto
Aplausos quer de minha alma
Adoração do meu pobre coração
Oh! meu Deus!
Quem me livra dessa condenação?

Sou ferido pelo meu ego
Cargas e tributos dos meus pecados
Algemas de ferro de um rebeliado
Dessa dor tão amarga sensação
O ego exige de mim a devoção
Oh Santo e Misericordioso!
Livra-me dessa perdição

Sou forasteiro ferido
Fendas e rachaduras interiores
Esses pecados do ego causam dores
Do antigo Adão veio essa contaminação
A voraz fome do ego ser adorado
Deixa-me sequioso fraco e torturado
Livra-me Senhor dessa danação!

No horizonte da graça encontro a cruz
Nela penduraram um tal Cristo Jesus
Descobri: é o Santo Salvador
Nesse brilho esperança e esplendor
Ouviu na cruz e respondeu na ressurreição
Meu grito agonizante por libertação
Meu ego perfurado em Suas mãos

Estou liberto dessa mortalha
Desse ego orgulhoso feito de pó e palha
Em Cristo Jesus sou morto e renascido
Ao Senhor louvo por tal libertação
Encontrei na morte de Cristo a salvação
Pelos pregos cravados em suas mãos
Dos meus pecados a completa expiação

Agora em santa e preciosa paz
Ainda grito na alma livre:
Oh meu Senhor: Não me abandone 
Jamais...

(Clavio J. Jacinto)



quarta-feira, 28 de março de 2018

Portos Pascais



PORTO PASCAIS
(I)
Palácios de mármores acariciam o frio
As revoadas de pássaros em suma de nuvens
Letras descalças nesses lamaçais lacrimejantes
E eu apenas desapego-me de um mundo surreal
(II)
Ouço a agonia do amor na bigorna da vida
Martelos infiéis sucateiam as virtudes
Num estranho sulco de egos distorcidos
Prisioneiros  arrepiantes do paranormal
(III)
Corro desse seculo onde as mãos de sombras
Tornam-se elos de uma corrente pesada
Elas prendem a razão dos outros imemoriais
Mas da janela das flores ouço o ruido das chuvas
(IV)
Ações libertarias acendem meu coração aceso
Uma estrela vespertina ilumina meu estrado
Os dardos de gelo não alcançam meu medo
Então tenho coragem de olhar pro novo céu
(V)
Ouçam: maltrapilhas almas desse mundo
Quem dera-me tirar-vos desse frio mortuario
Mas na praia dessas redenções busco minha nau
Se quiserem, embarquem comigo ao infinito
(VI)
Pois no porto das estações pascais, eu busco
Em tempéries ventanias dos halitos vitais
Já ouço a canção das harpas e fios do infinito
Chegarei lá, porque as mãos divinas me empurram... 

(Clavio J. Jacinto)



INVERNO DE NOSSAS ETERNIDADES




Andarei entre os sorrisos do dia
Como as nascentes das estrelas em espetáculo
As flores cantam canções silenciosas
Porque algumas musicas
Só o coração pode ouvir
Assim como a face pintada por um sorriso
Mostra aromas infantis de felicidades
Também ouço na orla das estrelas
Bendita vozes do esplendor
(Uma canção divina)
Se a relva dança com a brisa da noite
Minha alma se apega ao espetáculo
O coração precisa enxergar o belo
Para não perder-se entre as sombras
Do cotidiano
Eu bem sei que viver é construir
Escadas que tocam as luzes da estrela polar
Mesmo que em imaginarias sendas
O pensamento desliza por sonhos épicos
(Como perolas em praias de cristais)
Eu sou guardião dessas cenas de amor
Um século e nossos corações se dilaceram
Deixando pra trás um rastro de fogo
Como se todas as inspirações que tivéssemos
Fossem lâmpadas incandescentes
Quem iluminaram o inverno de todas as nossas
Eternidades....(Clavio J. Jacinto)

terça-feira, 27 de março de 2018

CIRCUITO


Gira em ventos e voos
Num insólito esotérico (pleroma)
Gira gira e não se cansa
Moinhos de êxtases na dança 
Gira em volta de si mesmo
Como se fosse degraus celestes
Um toque do mistério volátil
Força terrestre
Estável entre  as faias
As sequencias das palhas
Gira e cai, como geada
Floco de gelo e nevada
Cai e nesse enigma
Eu corro medroso e assustado
Nas ondas dos mares
No subúrbio dos altares
Pois lá onde o mundo também gira
Não fixo sem sentido
Do centro do universo
Do trovão da tarde
O estampido
Acordo e nada mais gira
A não ser meus os átomos...

Clavio J Jacinto

Sistema



Sistema

Corre o pensamento em busca de abrigo
Longe dos fogos de artificio dessa geração
Fugitivo desesperado
Apressado como as faiscas de um braseiro
Percorrendo as fronteiras
Dos umbrais de um passado distante

A neve de aço cai no campo dos gladiadores
O sistema entre em pane e jaz escuro
As falacias de um profeta sem noção
São as palavras repetidas embrulhadas na musica
A sinfonia desajeitada de tambores
Sem gasolina

Suave a alma canta a serenata das dores
Eu grito em tom menor, na rouquidão
Brincando estou de esconde esconde
Com esse destino que se destila nas memorias
As rosas lampejam raios intermitentes
O ruir dos calafrios dos computadores

Mas eu me acho tão infante
Desato as cordas de bronze e os laços de cobre
Acho uma margarida que desabrochou
Levou-me em  seus perfumes aos portais da primavera
Lá nas montanhas eu adormeço
Para voltar a viver na simplicidade


Clavio J. Jacinto