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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

ECO DE TODAS AS FARTURAS

ECO DE TODAS AS FARTURAS

Olhei para dentro de mim
Alma tranquila em ventos silvestres
Brisa de mar oriental
Brilho de estrela polar
Olhei e me assustei
Porque meu vasto coração
Outrora território desocupado
Foi rasgado por navalhas moveis
Arados que recortam o centro dos sonhos
Ali chorei por tantas feridas
Aflito por ver mãos de nuvens celestes
Que percorria minha dor em fuga
Mãos brancas e cheias de sementes
Espalhavam como alvas torrentes
Sobre toda a minha interna vastidão
A minha dor de rosto de tormento
Mais se inclina nesse choro e sofimento
Sobre as sementes tanto chorava
Minhas lagrimas o chão da alma regava
As dores como um parto de estações
No berço das amarguras sinceras
Uma cais de cores e perfumes
Nasceu dentro de mim
Vastidão de todas as primaveras.

Clavio J. Jacinto

CICLO VITAL



Era uma menina (Tão linda)
Criança formosa (Tão bela)
Que as flores tanto amava
Infância mágica (Cinderela)
Na chuva corria e dançava

Era uma moça tão (formosa)
Tão linda como pétala (de rosa)
Com a vida sorria e sonhava
Em sonhos na vida navegava
Retrato de noiva em belo véu

A menina e a moça se foram
Como um rio finito (que escoa)
Um vento que afronta a proa
Um mar de ígnea luz feneceu
Infante que o tempo levou (morreu)

Quem dera-me ouvir os passos
Ja que o tempo é navalha (de aço)
A estrela feita de gente surgiu
Brilhou tanto no jardim da vida
De cocegas viveu, sorriu e (sumiu)

Clavio J. Jacinto.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

O PERDIDO ERRANTE


O PERDIDO ERRANTE



Meus caminhos...

A que ponto cheguei eu
Nesse caminho de triste pecado
Que feito em alma de rebeldia
Nascido na alma da tumba fria
Fui poeta tão descalço
Perdido nesse mundo de tantas ruas
Nessa vida de tantos caminhos
Tão errante quanto a noite nua
De luzes foragidas nas amarguras
Como se a madrugada fosse espinhos

A que ponto cheguei eu
Dentro das incertezas amei a tenda
Nos rios de choros fiz meu porto
Andei por desvios mui tortos
Cultivei ásperas sementes de ira
Pactuei com erros e outras mentiras
Eu e minha opinião obscira
Perdido como ébrio na noite escura
No breu colossal sem um lume
Falido como primavera sem perfumes

A que ponto teve o Senhor
Que do infinito claustro das amarguras
Mergulha na cruz intensa tortura
Pagando o preço inestimável 
Com paciência e um dom tão amável
Pra da miséria tirar essa alma errante
Que pecava num vicio atroz e constante
Eu que comia feroz asco de engodo
Vieste Senhor me tirasse com mãos fortes
No charco desse lago de lodo

A que ponto chegastes meu Santo senhor
Que na perfuração sagaz de tuas mãos
Trouxesse aos pobres mortais, redenção
Onde não mais havia uma boa esperança
Nas hordas cruéis de brutal matança
Morresse ali naquele monte caveira
derramando o sangue expiatório por mim
As profecias diziam que era assim
Uma morte voraz para glorificar o amor
E vida me deste num campo de atroz terror

Aquela cruz....

(Clavio J. Jacinto)

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

A Tarde do fim da Vida


Eu choro vossos prantos
Nos cantos de toda a terra
Jaz o mundo na fome e na guerra
Sou um achado
Na humanidade
Eu choro
Sem risos
Com sorrisos
Por causa de seres
Híbridos de carne e pó
Folego

A tarde
Tem tons coloridos
As águas de meus olhos
Estão turvas
São matizes de todo mundo
O globo terrestre
Meu choro é canto 
Harpa desafinada
Os limoeiros estão florescendo
A alma do outono
É a primavera

Produz a estação
No pomar das minhas certezas
O fruto de minhas
Amarguras...


Jazigo da Falsa Felicidade.



Ouço um grito na escuridão da folia
Amargas têmporas de tão vãs alegrias
A fuga dos presságios em tormentas
Como as nevoas das noites mais frias

Os rastros do pecado é fogo devorador
Nas ruas um truvelinho e ondas de vaidade
Pedintes mendigando a felicidade
Como se as quartas queimassem a iniquidade

Pulam nas ondas desse mar agitado
As espumas de sorrisos tão voláteis
As armas da ilusão em fogos de artificios
Tu dizes: Que tenho eu a ver com isso?

Brada contra o engano e em pia oração
Aos céus brada, levanta as tuas mãos
Choras por todas as almas algemadas
Que na folia recolhem os pedaços da vida

Que sem um jardim onde reunir a esperança
Em fétido curso exaurem todas ansias
Porque se escuro é o sentido deles, o existir
Não tem pobres almas perdidas,para onde ir

Se em meio ao obscuro tempo a vida jaz
Aqueles que procuram uma doce paz
Aonde puderes grita bem alto, para tais
Pois Cristo perdoa e transforma o pecador.

Clavio J. Jacinto

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O CAMINHO DE TODOS OS SILENCIOS


Que desse silencio germine tantas inquietações
Eu que outrora semeava tantos sorrisos
Hoje vejo as sequencias de todos os zeros
Como uma alma orbitando as nuvens secas

Quando o deserto de todas as canções chegavam
Ouvia a relva nos cais da vida dançar
Num triste momento tudo se quebrou como sonho gelado
Queria ver meus pedaços juntados nesse caminho

Todos foram embora nesse abismo de ausências
Até meu passado roubou minhas saudades
Eu desejo feliz aniversario pra mim
Pois todo o tempo desmontou-se nesses portos

Quem dera-me se os sonhos fossem azuis
A constância de todas as chamas da vela de finados
Ainda que de tão sinistras chamas alumiando
Teria minha alma onde se segurar o destino

Agora que em vão as bussolas me orientem
Nos versos de uma folha solta, desejei cantar
Na labuta de uma leitura nos deleites
A minha alma repousou segura na poesia

Quão validas são as sequencias do meu grito
Sem auroras e os rastros de luzes boerais
Como o crepitar de brasas em gelo silencioso
Nos degraus das estrelas vistas em terras astrais

Vou seguindo por esse rastro de dor
Num vaga vereda entre o céu e o mar
Como as sebes que ocultam as doces uvas
No destino que me alma quer penar

Em centelhas de mil cargas num torvelinho
Esperança aberta na ferida no caminho
As gotas brilhantes de celeste balsamo
Agora são faróis que sustentam meu caminho;

Clavio J. Jacinto




A PORTA ERRADA




A PORTA ERRADA

Era uma porta tão linda
Tão bela e sem igual
Parecia tão puro diamante
Imitação de puro cristal

Era uma porta mui atraente
De cores vivas era pintada
Tão chamativa suas cerimonias
De preciosas pedras incrustadas

A fumaça azul tão pefumada
Tão cintilante a chama ardia
Por tão larga e espaçosa porta
O povo curioso, ela atraía

Que queimava tão fogosa paixão
De requintes almas desse vil mundo
Que atraídos por brilhante porta
Que escondia dentro o abismo profundo

De trás de tão linda atração
De mármore e ouro tão colossal
Sugava as almas mais cegas
Para a fome do poço abissal

Em canções letárgicas e cânticos tais
Que o engodo da porta tanto atraía
Em frases doces e promessas de paz
Por trás da porta, mortal erro jazia...


Clavio J. Jacinto