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terça-feira, 3 de setembro de 2024

O Mundo Imaginario

 Há planícies no pensamento

Onde repousam folhas caídas

Há vales no pensamento

Onde se escondem os aromas da noite

Ha prados na memória

Campos santos e praias

Há um jardineiro entre o dia e a noite

Ventos e restos de catástrofes

Onde tudo vagueia circulando

Como os anéis de Saturno

Um lugar onde as tempestades se alojam

Para fazer a vida se estremecer 


C. J. Jacinto

 


A Luz no Lado Norte da Praia

 

A Luz no Lado Norte da Praia

 

 

 Não é possível crer que um caracol estivesse percorrendo as areias da praia naquela tarde ensolarada de primavera. Mas o incrível sempre é uma possibilidade para os que estão abertos aos recursos do universo.

O que atraia o caracol, um caramujo gigante, muito parecido com o africano, era uma luz distante brilhando, como um farol ilhéu ou uma vela acesa em cima de um túmulo em dia de finados.

Arrastando-se pela areia, quente, solta, pequenas partículas de mundos, grãos que pareciam pequenos planetas na orbita da praia, numa jornada íngreme, sem cumes, distante, mas sem quilomentros, a alforria da ansiedade, uma visão distante, um brilho colossal, perdido na penumbra de uma trade que empurrava a luz radiante do sol, pigmentado de sonhos transparentes e o vermelho dos vitrais da primavera, erguidas num céu aberto, movimentado por pássaros e ventos, as nuvens estavam ausentes, o caracol deixa um sulco na areia, viagem intrépida, um assedio que a curiosidade faz, um destino, um propósito.

Não lamento essa odisseia, a coragem do Gastropoda, pois ali vagueia em firmeza como um soldado para a batalham uma conquista visionaria a atração pelos lampejos, línguas de fogo que se move como os filhos do relâmpago, a sombra seria apenas um espectro derramando os resíduos de todas as ausências, o caracol persegue seus próprios pensamentos.

A praia, suas montanhas e o sombreado de suas encostas, ao longe as escarpas do costão e cada vez mais próximo, a luz brilhante, a alma da noite que alumia os olhos dos curiosos noturnos, peregrinos que comem alfajor e dormem n relento esperando o romper de uma aurora que escreve uma nova historia repetindo o pulsar do coração e as lembranças de uma passado.

Mas para o caracol a conquista é uma peregrinação que se associa ao ideal de buscar o que atrai, mesmo que a distancia a percorrer seja um tempo que consuma parte da vida, chegar ao propósito é um fator fundamental para quem tem uma direção definitiva; nisto consiste a vida, pois sem uma direção, a vida torna-se um abismo.

A grandeza da coragem e a insistência é a regra, uma marcha com um senso de ser, e assim, o caracol, na voluptuosa marcha, num destino que parece quase infinito, é tocado pelo testemunho das primeiras estrelas, pontos distantes que começam a aparecer no véu noturno, o céu do firmamento das luzes distantes, intocáveis e enigmáticas. O caracol para por um momento, contempla algumas delas, que parecem pular de alegria numa canção silenciosa feita apenas de movimentos lentos, a rotação da terra.

Mas os olhos se voltam para aquela luz na praia, alguns metros de distancia, apenas, porém tão distantes ainda!

Mas não é o momento de desistir, a conquista está muito próxima, um frio sopra de todos os lados, a escuridão é cortante, a luz está mais próxima, que momento repleto de fantasias, o que será afinal essa luz que cativa caracóis curiosos?

É a meia noite, momento sinfônico, ondas encalham na areia, estrelas do mar adormecem no leito, águas salgadas naufragam como as lágrimas de um rosto empoeirado.

Ali diante do caracol está a luz, uma criança sorridente, olhando para o infinito aguardando o velho pescador, seu pai que está em alto mar e que prometeu voltar em breve, o caracol se alinha ao lado da criança. Ela olha para o caracol e um sorriso inocente nasce de seu formoso rosto. É uma lamparina de querosene, a criança segura firme, aguardando que seu pai retorne antes do amanhecer, e agora ali, entre as ondas e areias, dois seres olham para a misteriosa linha do infinito que se esconde por trás das sombras do mar.

A esperança se fortalece quando alguém compartilha de nossas expectativas.

 

 

C. J. Jacinto

 

 

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

A PRAIA

O destino (fere) a praia

AS flores do prado sem perfumes

Aroma de acácias sonâmbulas

Diamante quebrado nas ondas

O tremor dos vendavais (Meu amor)

O sol descansa nas brasas

Não seu onde fica (sua morada)

Fico imaginando (Um sedentário)

Procurando abismos em cumes

Ficar imenso na vida

Diluindo no tempo

Essas imaginações solúveis.

 

C. J. JACINTO

 

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Uma Oração...

Senhor,

Dá-me paz nas tribulações

Paciência nas adversidades

 Senhor, preciso de força para vencer as tentações

Confiança em meio às dificuldades

Dá-me Senhor, sabedoria e discernimento

Um coração que deseja intimidade contigo

Um temor reverente à Tua onipresença

Dá-me Senhor fome e sede de justiça

Alegria em seguir Teus conselhos

Firmeza em te servir e seguir

Que a piedade seja o meu contentamento

Que a humildade seja o manto da minha vida

E meu coração o Teu trono

Senhor, santifica-me para a Tua glória

Que Tu seja o meu tudo

Que na minha vida não haja bem maior

Do que uma fé e uma confiança inabalável

Pois a esperança cristã é meu verdadeiro Tesouro.

 

C. J. Jacinto

 

Ilha das Pipas


 

Procura ó homem

Um lugar para fugir das dores

Não vá para Madagascar

Nem pra ilha dos Açores

 

Vê em Noé um Exemplo a seguir

Não na argamassa de Babel

Faz de conta em luz de vela

Constrói pra ti um barco de papel

 

Encontrarás nesses alvos mares

Um farol aceso e uma estrela forte

Lá no vasto horizonte de terras astrais

Talvez na imensidão do céu do norte

 

Caminha em chão batido o destino

Nas imaginações que do coração anseia

Chegarás firme e seguro em dobre animo

Onde as pipas repousam na areia.

 

C. J. Jacinto

 

sábado, 1 de junho de 2024

Ártico

 Em noites gélidas repousa minha alma fraturada dos labores


Nesse inóspito campo de batalhas ondem jazem em orvalhos minhas dores


O caos que flutua nos vendavais de todas as tempestades perdidas


No flagelo que canta em gemidos dentro de mim, a alma ferida


Nas chagas da pele e o pensamento sofrido enrijecido na neve


Bendito socorro de quem a mim clama, Meu jugo é suave e Meu fardo é leve 


C. J. Jacinto 


Noturnos Pesares

 Noturnos Pesares






Carrego comigo aquelas ânsias pesadas na contramão da existência.


O fluxo do drama de uma agonia que não naufraga com minhas penitências


Porquanto insisto na ponderação de meus néscios insultos 


No rastejar noturno de meu manto negro que jaz no luto 


A cortejar nessas lágrimas insípidas, madrugadas sem unguentos


No silêncio ártico de todos os meus últimos lamentos


Ah! No absinto intenso de meu pobre espírito amargurado.


Ouço: Bem-aventurados os que choram porque serão consolados.


C. J. Jacinto