Espera
Se as pressões da vida em apertos te angustiam,
e a existência parece um fardo a queimar,
se em provas de fogo as ânsias se ajustam
e a alma vacila sem poder respirar,
espera — pois o carbono, sob
tanta pressão,
não grita, mas gera diamante no chão.
Se o cerco se fecha, te
esmaga o destino,
e o peito é um recinto de sombra e de dor,
se o silêncio é um golpe, o sufoco assassino,
e a fé vacilante já perde o valor,
espera — pois a larva, em
seu cárcere escuro,
tece as asas que rompem o véu do futuro.
Não fujas do crisol, nem
negues a prova:
a gema e a asa nascem do aperto.
Só quem suporta o que o tempo renova
sabe que o fim do túnel é o começo do aberto.
C. J. Jacinto
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