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quarta-feira, 3 de agosto de 2022

(Ressurreição)

 



I
Não somos almas sem destinos, presas por grilhões evolutivos, cérebros pausados na contemplação, tentando decifrar o silêncio de espantalhos.
II
Não somos forjados em ciclos redundantes, perdidos na diáspora pós-utetnina,  arremessados pelos vendavais do acaso.
III
Há um sentido na vida, um caminho resplandecente, um destino seguro, forjado na cruz com um morrer e consumado numa vitalícia ressurreição

Entardecer

 Julgo intermitente

Esse pulsar acustico

Lembranças turvas

Da infancia remota

Da pobreza feliz

Onde cada dia era uma vida

Cada noite um sonho

Depois de todas as eras da vida

No fim de muitos verões

As janelas se fecham

Tempestades a vista

Furacoes

Entardecer da vida.


C. J. Jacinto

(Jardins)

 



I

Olho entre os lírios, Jardim  selados de meus cálices, onde perfumes brotam da abundância de férteis primaveras, consolo celeste, vida espiritual plena, graça que outorga sorrisos


II
Por onde andas minha alma cardíaca? Felicitações de promessas de libertação quando a criação geme, a libertação dos filhos do altíssimo, ante a alva nascente.


III
Como a crisálida da borboleta que lapida a glória de vôos em plenitude, meus olhos , na fé que transcende o agora, repousa nas calmarias do todo o sempre

 

 

 

 

 

 

 

Cravo e Canela

 


Cravo e Canela

 

É tarde furtiva nos campos

O sol caiu sonolento por trás das montanhas

As estrelas dançam ao tocarem as nuvens

Fagulhas incendiarias da noite triste

Como se cada morte afogasse as ilusões

Cada suspiro de transcendência biológica

Levasse todos os sonhos embrulhados na dor

Ouço o soluço de um ancião e flanelas

No campo minado, cravo e canela

Essa loucura da sintonia de alegrias e tristezas

Síntese de amores e dores

A primavera e suas raras belezas

A loucura sinistra das batalhas

No jardim de infância uma criança sorrindo

Da janela do leito do hospital vai surgindo

Um moribundo que olha em nívea luz

É o momento da sua árida cruz

O infante pula vivendo

O enfermo enxerga a si mesmo morrendo.



C. J. Jacinto

 

sábado, 9 de julho de 2022

Homem Imaginario

 Nuvens dentro de mim (pensamentos)

Em tempestades perdidas no céu da boca

(relampagos) na intransigência da imaginação

Medos orbitam a consciencia

Por entre as pseudos saliencias

O enredo de de minhas mãos

Bebo do calice dessas chuvas e temporais

Como eremita foragido no cais

Das minhas epopeias pensantes

Por um só instante me desperto

Deste surto que me acode o verme

No espelho do poço de prantos

Olho e percebo: sou ente, sou homem


C. J. Jacinto

sábado, 2 de julho de 2022

Simples

 Na primavera dos sonhos

Nada mais vejo senão as flores de um sorriso

Pois em cada uma que desabrocha

me encontro feliz

No outono da felicidade

Os frutos do amor são feitos

De pequenas coisas que se formam

Na simplicidade


C. J. Jacinto

Perdas



 Caindo as folhas de uma árvore

Há na perda

Uma renovação de si mesma

Assim, somos nós, pobres imortais

Quando entendemos todas perdas necessarias

Crescemos em sabedoria e renovamos nossa esperança