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sexta-feira, 13 de setembro de 2024

A Herança do Silencio


 

Na quietude emerge a plenitude

Na ausência dos ruídos o âmago do sossego

A épica tranqüilidade responde

Onde cada estrela se acende e brilha na noite

Até na essência da madrugada cintila e em labor

A destilação imaculada do orvalho

No silencio desabrocham as flores

Os frutos amadurecem nos pomares

Aromas e perfumes são discursos nos ares

Até nas profundezas térreas dos mares

As ostras perlíferas moldam as perolas

Num sofrimento sem gritos

A alma de todos as angustias sufocadas

No silencio o sol alumia

Como um farol cósmico em oceanos austeros

A réplica dos cumes num eco insólito

Sem ressonâncias sonoras

Como o floco na neve branda

A geada que repousa sonolenta na relva

Preciso também  do silencio

Para adormecer  e viver meus sonhos.

 

C. J. Jacinto

 

 

(Austeridade)


 

O amor nasce

Em dores de mares profundos

                  Como pérolas que gritam

Num chão de ancoras

                       O amor só pode ser recolhido

Em  um coração puro que sabe sofrer

 

 

Eu semeio as flores em teus desertos

         Irrigo tua sequidão com orvalho de minhas lágrimas

Se fores apressado na indiferença

                            Pisando os sulcos de meus labores

Abandonar-te-ei quando o mundo se acabar

 

 A vida é um épico para heróis

      As cicatrizes são selos de batalhas

As lutas avançam nas noites frias

 Se tiveres medo dos ferimentos

Severa será a tua covardia

 

 

C. J. Jacinto

 

domingo, 8 de setembro de 2024

AS ROSAS DO PEREGRINO

 

AS ROSAS DO PEREGRINO

 

 Um peregrino percorria certa estrada empoeirada, aquele imenso deserto sem nome, onde os pés calcavam o solo moribundo de uma terra quase sem forma e vazia. Cheia de antros e sombras de arvores mortas, adormecidas nas saliências de dunas pardas, que projetavam sombras medianas como se fossem pedaços de uma noite fragmentada pelos gritos de pessoas desesperadas.

 Um começo de dia, um recalque no calendário, a soma que se emancipa para projetar milênios, uma calmaria que se quebra por gemidos de ventos perdidos e os passos de um homem coberto de trapos.

Naquele prodigo dia, perdido nas estações, aquele homem vê ao longe um Oasis, se é que podes ser definido como um, pois eram apenas pequenos arbustos envoltos num pequeno e tímido manancial de águas. Ao chegar próximo, ansioso para refrescar-se com um pequeno gole de água, o viajante se depara com uma roseira, e tinha apenas três rosas, um mistério, enigma escondido no caos, tendo por testemunha, as estrelas adormecidas por causa do meio dia.

Uma rosa era branca, outra era negra e a outra era azul.

Sentado sobre uma pequena pedra, absorto naquela imagem transcendental, as três rosas como se fossem as três marias estelares, três flores magníficas, libertando um aroma doce, a identidade de uma primavera perdida numa civilização de pedras e catástrofes, o caustico calor de um verão infinito, as rosas permanecem entre a fragilidade e a força, como se a humildade tivesse o poder da permanência em um mundo inóspito, saturado pelo orgulhos dos monturos secos, recalcados numa aridez tão íntima, que a terra permanecia assombrada por todos os sustos.

O peregrino colhe as três rosas, e ele entende que elas nunca irão murchar, florescer no meio da tragédia ou brilhar em meio a escuridão, é um sinal de que a superação se adquire através da resiliencia, ele coloca as flores com muita delicadeza dentro de seu alforje, e prossegue seu destino, sabendo que sua missão na vida é entregar cada uma das rosas, para as respectivas pessoas que durante sua viagem encontrar.

Assim, prossegue sua jornada, e então começa a encontrar pessoas que aparecem na estrada. Ele encontra um orgulhoso, e olhando para suas vestes e sua face, nota a arrogância no olhar, pois despreza o peregrino vestido com trapos, roupas que parecem com pétalas que passaram por um moinho de espinhos.

Mais a frente encontra o arrogante, que olha para o peregrino com um desprezo ainda maior. O peregrino apenas olha meio desconfiado e prossegue, na esperança de encontrar alguém que possa dar uma rosa.

Ele vê ao longe um homem de branco com uma pequena mala na mão, está á pé, anda rápido e com um olhar sério, é um medico, ele precisa atender um doente com uma medida muito grande de urgência, sua projeção mental é toda concentrada em salvar aquela pobre alma moribunda, ele vê o peregrino, para e olha para o estado em que se encontra aquele viajante. E o peregrino sorri estende a mão e dá aquela rosa branca.  O médico sorri, aceita o presente, sabe que naquela pureza da rosa há um poder de alegria e satisfação, agradece e prossegue seu destino. O peregrino acena e diz

- Compartilha as pétalas com teus companheiros e com os trabalham no Corpo de Bombeiros.

Mais a frente o peregrino encontra uma professora, ela está carregando uma mala grande, cheia de livros, que fardo pesado! carregando dicionários e enciclopédias, ela tem uma face que revela cansaço, mas ainda consegue sorri. O peregrino estende a rosa vermelha para ela e diz:

- Essa rosa é o símbolo do sacrifício, ofereço-te de presente.

 E ela manifesta uma expressão ainda mais feliz, pois sabe que naquela linda flor há o símbolo do sacrifício pela causa de uma missão tão nobre. Então ela agradece e prossegue seu destino.

Mais a frente, o peregrino encontra um político em um palanque carregando um saco de promessas, um sorriso disfarçado e olha para o peregrino meio assustado.

Sem mais pensar, o peregrino toma a rosa negra e lhe entrega...

 

C. J. JACINTO

 

terça-feira, 3 de setembro de 2024

O Mundo Imaginario

 Há planícies no pensamento

Onde repousam folhas caídas

Há vales no pensamento

Onde se escondem os aromas da noite

Ha prados na memória

Campos santos e praias

Há um jardineiro entre o dia e a noite

Ventos e restos de catástrofes

Onde tudo vagueia circulando

Como os anéis de Saturno

Um lugar onde as tempestades se alojam

Para fazer a vida se estremecer 


C. J. Jacinto

 


A Luz no Lado Norte da Praia

 

A Luz no Lado Norte da Praia

 

 

 Não é possível crer que um caracol estivesse percorrendo as areias da praia naquela tarde ensolarada de primavera. Mas o incrível sempre é uma possibilidade para os que estão abertos aos recursos do universo.

O que atraia o caracol, um caramujo gigante, muito parecido com o africano, era uma luz distante brilhando, como um farol ilhéu ou uma vela acesa em cima de um túmulo em dia de finados.

Arrastando-se pela areia, quente, solta, pequenas partículas de mundos, grãos que pareciam pequenos planetas na orbita da praia, numa jornada íngreme, sem cumes, distante, mas sem quilomentros, a alforria da ansiedade, uma visão distante, um brilho colossal, perdido na penumbra de uma trade que empurrava a luz radiante do sol, pigmentado de sonhos transparentes e o vermelho dos vitrais da primavera, erguidas num céu aberto, movimentado por pássaros e ventos, as nuvens estavam ausentes, o caracol deixa um sulco na areia, viagem intrépida, um assedio que a curiosidade faz, um destino, um propósito.

Não lamento essa odisseia, a coragem do Gastropoda, pois ali vagueia em firmeza como um soldado para a batalham uma conquista visionaria a atração pelos lampejos, línguas de fogo que se move como os filhos do relâmpago, a sombra seria apenas um espectro derramando os resíduos de todas as ausências, o caracol persegue seus próprios pensamentos.

A praia, suas montanhas e o sombreado de suas encostas, ao longe as escarpas do costão e cada vez mais próximo, a luz brilhante, a alma da noite que alumia os olhos dos curiosos noturnos, peregrinos que comem alfajor e dormem n relento esperando o romper de uma aurora que escreve uma nova historia repetindo o pulsar do coração e as lembranças de uma passado.

Mas para o caracol a conquista é uma peregrinação que se associa ao ideal de buscar o que atrai, mesmo que a distancia a percorrer seja um tempo que consuma parte da vida, chegar ao propósito é um fator fundamental para quem tem uma direção definitiva; nisto consiste a vida, pois sem uma direção, a vida torna-se um abismo.

A grandeza da coragem e a insistência é a regra, uma marcha com um senso de ser, e assim, o caracol, na voluptuosa marcha, num destino que parece quase infinito, é tocado pelo testemunho das primeiras estrelas, pontos distantes que começam a aparecer no véu noturno, o céu do firmamento das luzes distantes, intocáveis e enigmáticas. O caracol para por um momento, contempla algumas delas, que parecem pular de alegria numa canção silenciosa feita apenas de movimentos lentos, a rotação da terra.

Mas os olhos se voltam para aquela luz na praia, alguns metros de distancia, apenas, porém tão distantes ainda!

Mas não é o momento de desistir, a conquista está muito próxima, um frio sopra de todos os lados, a escuridão é cortante, a luz está mais próxima, que momento repleto de fantasias, o que será afinal essa luz que cativa caracóis curiosos?

É a meia noite, momento sinfônico, ondas encalham na areia, estrelas do mar adormecem no leito, águas salgadas naufragam como as lágrimas de um rosto empoeirado.

Ali diante do caracol está a luz, uma criança sorridente, olhando para o infinito aguardando o velho pescador, seu pai que está em alto mar e que prometeu voltar em breve, o caracol se alinha ao lado da criança. Ela olha para o caracol e um sorriso inocente nasce de seu formoso rosto. É uma lamparina de querosene, a criança segura firme, aguardando que seu pai retorne antes do amanhecer, e agora ali, entre as ondas e areias, dois seres olham para a misteriosa linha do infinito que se esconde por trás das sombras do mar.

A esperança se fortalece quando alguém compartilha de nossas expectativas.

 

 

C. J. Jacinto

 

 

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

A PRAIA

O destino (fere) a praia

AS flores do prado sem perfumes

Aroma de acácias sonâmbulas

Diamante quebrado nas ondas

O tremor dos vendavais (Meu amor)

O sol descansa nas brasas

Não seu onde fica (sua morada)

Fico imaginando (Um sedentário)

Procurando abismos em cumes

Ficar imenso na vida

Diluindo no tempo

Essas imaginações solúveis.

 

C. J. JACINTO

 

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Uma Oração...

Senhor,

Dá-me paz nas tribulações

Paciência nas adversidades

 Senhor, preciso de força para vencer as tentações

Confiança em meio às dificuldades

Dá-me Senhor, sabedoria e discernimento

Um coração que deseja intimidade contigo

Um temor reverente à Tua onipresença

Dá-me Senhor fome e sede de justiça

Alegria em seguir Teus conselhos

Firmeza em te servir e seguir

Que a piedade seja o meu contentamento

Que a humildade seja o manto da minha vida

E meu coração o Teu trono

Senhor, santifica-me para a Tua glória

Que Tu seja o meu tudo

Que na minha vida não haja bem maior

Do que uma fé e uma confiança inabalável

Pois a esperança cristã é meu verdadeiro Tesouro.

 

C. J. Jacinto