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quinta-feira, 4 de junho de 2020

Teatro Das Maravilhas


O frio traz doçuras na alma da macieira
Flores que pintam os contornos das praças
Cerejeiras floridas em campos de sonhos
A ígnea luz da aurora em campinas flamejantes

Mil clarões nas ruas dos pirilampos
Imensas roseiras em vales utópicos
Estações chuvosas irrigam a elegância
Os gritos de arbustos rasteiros nas charnecas

Atrás do vento as partículas de perolas
Sobras de diamantes lapidados nos açoites dos mares
E cada homem dessa visão estigmatizada
Celebra a loucura do advento da indiferença

Todos os dias o universo apresenta espetáculos
Ainda que estejamos presos as circunstancias
De nossos problemas....





Clavio J. Jacinto

A QUEDA



Cai as estrelas do céu da minha boca
Jazem silenciosas nas praias de minha língua
Messe outono de marés de flores
Nos trópicos das montanhas do norte
Ilhas de minhas demagogias
Monarquia sólida de minhas sentenças
As coisas se açoitam o coração esperançoso
Fortalecem as virtudes no homem interior



Clavio J. Jacinto

Labor de Minha Alma



Como alma de orvalho desprendido
Na relva pálida da minha vida

é melhor a solidão com fecundidade
Do que a turba remetida á superficialidade

O olhar que contempla o belo
É mais profundo de quem adormece na indiferença

Eu descanso no jazigo de meus sonhos
Pois é melhor do que a tempestades de meus desejos

Ceifa o meu coração as flores
O doce néctar das borboletas caídas

Pois no solo da minha vida contemplativa
Encontro as sementes da toda minha esperança


Clávio J. Jacinto




terça-feira, 2 de junho de 2020

A VOZ POR TRÁS DOS MONTES





Não deixarei meu coração em pedaços
Nem abandonarei minha alma ao frio
As fontes do medo germinam assombros
O véu das sombras lamentam o meu pó
As incertezas da vida cantam pra mim
Mas outra voz ouço,  além dos montes

Não temerei o susto noturno que chega
O cálice dessas amarguras que tanto  roga
Despojar meu coração das doçuras do amor
O céu retumba sob as vestes áridas
As agruras do manto de dores tenazes
Mas outra voz eu ouço além das campinas

Prostrado no pó de face corada na rua
Como a perola que se parece com a lua
Não deixarei a minha alma presa aos apertos
Aos monturos rebentos de meus desacertos
As incertezas da vida cantam pra mim
Mas ouça a voz de Deus além das montanhas.





CLAVIO J. JACINTO

Cicatrizes da Redenção



Vi  a face corada do destino
Entre o ridículo e o azar que pairou
Sobre as sombras de falsos amores
Que um dia vieram com falsas promessas
Disfarçadas de sorrisos desabados
Como espinhos rasgando as paginas da historia

Entre petúnias e gerânios no inverno
Nas lagrimas que umedeciam o pó do destino
Vi as palavras doces se azedarem no tempo
Num mar de fel que escoou em arroios
A lama que sujou minha alma de falsas esperanças
Mas eu prossegui em meus sonhos

As causas desses desatinos eram silêncios
Que se juntaram numa constelação de dores
Entre as estações pendentes na neve azul
Brilhando como luzes natalinas entre os olhos
A figura predominante daquele portal de sonhos
Meus sorrisos congelados

Eu prossegui, e a tênue penumbra pairava
Sob o sol que brilhando tudo esclarecia
E quando percebi já era um glorioso novo dia
Em que o sol da justiça sobre mim brilhava
Ali redimido de todas feridas eu estava
Grato  a Deus por ter superado as decepções


Clavio J. Jacinto 








Candura


Candura

Eis o novo dia de irrevogáveis canduras
Erguida das caladas dos poentes
Madrugada flutuando no frescor noturno
Entre o barro e os matagais molhados
As flores silvestres tingem o céu azul
Os grilhões dos nevoeiros prendem sombras
E no império dos sonâmbulos
 Fingimos dormir
Nas  torturas dessas  nostalgias perdidas
Lá estão no chão do coração, saudades
Encontram-se escondidas dentro de um velho coração


Clavio J. Jacinto

Caustico Conflito


Caustico Conflito

Uma armada de rosas singra os mares
Nas revoltas de gládios de aços espinhos
Corsário de canforas em ventos perfumados
Canhões que ornamentam a praia das sombras

As naves dos campos em pousos retorcidos
Ricocheteiam ali as gotas de tais tempestades
As dunas armadas de coroas desoladas
No cimo do monte de espadas prateadas

E nessa guerra épica de ervas e flores
As libélulas cantam na harmônica brisa do destemor
Guerreiam rosas lírios palhas e madressilvas
E da batalha ergue o estandarte: vence o amor


Clavio J. Jacinto