Pages

sábado, 3 de novembro de 2018

Desperta Tu que Dormes




Sais de sono em praias sem lagrimas e opulências
Vi o descanso sempiternos de tais pródigos vivos
Homens no dormitório das nuvens do passado
Filhos órfãos que não aprendem com as tragédias.

Escreve a historia das dores e adormece
Canção de ninar sombrio nas noites sem luz
Apolices de sonhos nas barbas de um mendigo
Turvos cravos em feno que repousa na madrugada

Das vertentes de um sonâmbulo as escarpas
Panacéias embutidas em frascos de perfumes
Tais súbitos gritos em vãos póstumos conflitos
Atende ao clamor desse esfomeado bendito

A anestesia das ultimas lagrimas nesse jardim
Como pães carcomidos nos orvalhos núpcias
Cascas de frutas em incensos amortecidos
No vácuo desses  tristes silêncios adormecidos

Não foge mais desperta, olhe ao muno mudo
Nas caladas das manhãs ressoa as angustias
Nas barragens da loucura as fabulas fictícias
Desses cemitérios de vivos  voláteis insensatos

Desperta desse amargo sono frágil e infecundo
Porque das paragens fatais do fim do mundo
Um oceano trêmulo de corpos estão adormecidos
Precisam ouvir gritos fracos e depois fortes gemidos

CJJ

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Omisso



Omisso

Não andas descalços em brasas acesas
As lagrimas alheias não te pertencem
Na fome, todas as migalhas são tuas
O gemido do outro é teu silencio
A voz do justo é tua ofensa
O egoismo a tua sublime prisão
Do teu orgulho nascem tuas tentações
Tua opinião é maior do que a verdade
A tua ilusão acima da realidade
Pondera teu erro em vão vaidades
És enfeite de sociedade corrompida
Sem virtudes és respiração quase sem vida
Não andas descalços em vidros cortantes
A vida pra ti é impossível utopia
Na própria sede imploras ao desperdício
Só és santuário profano de outra razão
A tua liberdade é uma egolatra prisão
Nas deploráveis molduras da tua hipocrisia
Fardo dos erros de tua logica vazia
Bobagens vorazes da falsa sabedoria
Dessa carga de palhas a loucura consome
Pois no leito de todas vergonhas,
O teu coração dorme

Clavio J. Jacinto

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Sobre Melancolia


Sobre  Melancolia

 As vezes nosso coração mergulha numa ausência de alegria. Algo difícil de expressar, como se fosse uma estação oca, sem sentido, onde nossa alma arrasta-se levando consigo pesados grilhões espirituais. Nosso coração torna-se pesado, há uma dor invisível e cruel, que lateja no fundo do nosso ser, é difícil de entender, porém essa é uma experiencia clara dentro de nós. A melancolia é como uma ancora que serve apenas para estacionar nossos lamentos numa tempestade. Nossa vida passa por momentos assim, onde o sentido parece se perder da subjetividade. Nessas horas precisamos revolver todos os entulhos existenciais, para encontrar aqueles momentos alegres, perdidos no fundo de um mar de tristeza, pois ao encontra-los, sute um efeito muito bom, é como se estivesse num mar de lama escura sobre densas nevoas, mas com os braços estendidos no fundo achasse uma lampada a acesa e agarrando com as mãos, trouxesse essa luz a tona, para iluminar a nossa face e dar direção aos nossos olhos.

Clavio J. Jacinto

Fome em Bengala




Na tempestade dança as gotas de teus choros
Como lâmpadas amortecidas por um grito infante
Como relvas secas em espinhos recalcitrantes
Perpetuadas pela falta dos grãos que abençoam o pão

E que deveras tristes vagas de sois escuros
Em tormentos nas favelas de estômagos vazios
Como ermo em palhas famintas submersas no frio
Deixem a fúria lamber esses labios verdejantes

Que em desespero tais vidas não saciadas
Que consagram  o pó lambendo a calçada
Pois de uma mó a pedra se seca na imensidão
Numa capa de desventuras nos cais da assolação

Que chora infante em peito sem leite
Pois na urgência  do medo em breu enfeite
As chagas da barriga e o osso na pele
Que das angustias de tantas ânsias expele

Aquele urro num amontoado de túmulos fingidos
Onde cada esqueleto se apega num triste abraço
Para de ultimo suspiro uma fatia da terra nos braços
Deixar a terra e um paraíso de montes fugidios.

CJJ



Asfixia




Desde ódio jaz grave som que exaspera e destila
Nas camadas atmosféricas do grito de guerra
Das portas quebradas nos sertões da eterna terra
Que aguda dor em prantos não consigo respirar

As demências da raiva que polui o meu  ar
Ai de mim, ofegante,  em luta que eis  de suspirar
Pois a fumaça da arma e da batalha é a trama
Que expira e aperta meu fôlego em um drama

Quão pobre meu ser que “non sense” se desespera
Que na falta do oxigênio se debate flutuante  na dor
O ar do amor que se desfaz nesse temível  temor
Nas caladas e antros do vil nevoeiro que tudo dilacera

As andanças da alma crua na sega dessas tensões
De raiva e a ira nas crostas dessas perpetuas  dimensões
Dos homens  ferozes com corações quebrados e feridos
De outros contaminados pelo ódio na alma  inserido

Qual língua de fogo sagaz que a tudo  devora
A parte intima do amor que é totalmente  consumida
Nas brasas da violência que engole as virtudes da vida
Eu tento respirar a índole dos penhascos humanos

Mas que em fios de fabulas eu nem  acredito
Ainda que a caridade seja pra tantos um mito
Meus  pêsames a mim mesmo nessa forte tensão
Desse caustico respirar dessa dura inquietação

Que deveras fuga na noite de São Bartolomeu
Quem poderia ter sido no breu de aço ceifado era eu
Mas corro ofegante nessa intensa  encenação
O ar que respiro nessa batalha que me envolvem

E que diria mais, se tão cansado estou
Por águas profundas minha alma peregrinou
Agora que o descanso da fadiga feroz chegou
Já não preciso da tristeza, preciso de esperança



CJJ

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Castelo de Estrelas



Ai, ai, é o drama das estações das guerras
A arma que sujou as mãos infames de caim
Elas também apontam pra mim
Como se todas as estrelas se unissem no céu
Palácio de um arqueiro se formasse nas nevoas

É o mundo e suas contradições que abrigam
No cenário que das barbáries bélicas, proclamam
Nas calamidades da vida essa encenação
Muitos homens com o fio da historia tecem
A tapeçaria das epopeias, fundamentos da civilização

Nasci nesse mundo e me aproximo
Do campo da batalha que se chama terra
Nesse retumbar de canhões de guerra
Onde a morte passeia e dança de luto
Do parto eu lamento, mamãe me veste de luto

Das fantasias de sonhos que da alma carece
Vem as vias das vaias e choros de quem perece
Mas estou aqui contigo meu grande amigo
Como sarças e arruda, açafrão e bendigo
Nas acácias e nas bétulas e o grito de bem vindo

Sois homens como eu sou mais humano
Dentro de mim esse orgulho mais tirano
Arremessa pra fora a marcha de minha dormência
Dessa que dá pêsames e ri da vossa inocência
Sou homem recém chegado nesse mundo

Mas que me assento em sombras frugais
Em desertos charnecas e telhado de avencais
Pântanos e areias movediças coloridas
Dando grito de abertura, bem vindo a vida
Teu é o aço que faz a existência ser mais dura.

E que nas luzes natalinas de final de ano
Que enxuga as lagrimas do réu que sou
Mal cheguei e vejo a dissolução do amor
No palco belo que as vezes transcende horror
Então o surto de um eco que me desperta


És homem? fica pois em tudo alerta
E vê....


Clavio J. Jacinto

Postais da Aurora Perdida





Ouço o clamor da calamidade entre as grades
De Espinheiros que vertem aromas de vendavais
Em palácios vertidos em palhas e cravos cortantes
Num retoque entre além próximo e mui  instante
Homens que perdem o palco da vida em um cais

Mulheres e crianças chorando  em encenação
Na batida do ritmo da vida do mundo que pulsa
Os vaus de sangue e a triste historia da civilização
De ódio e destreza na violência da adâmica  petição
Onde os murmúrios caçoam das fabulas da repulsa

Tenho a leve  impressão que as harpas são tocadas
No breviário de um mudo que pede a voz de outro
Emprestei a minha que a foice da ceifa sempre acalenta
Desse sentimento tão amargo que me deixa paralisados
Pouco a pouco perdido na ala dos outros  desesperados

Como épico de um jogo moral  que se aproxima
No tóxico horror e a fumaça que verteu  de Hiroshima
Estendo a mão para uma criança vital que chora
Não grite infante, acorde! não estou indo embora
Estou nesse triste cenário da vida, apenas chegando...

Clavio J. Jacinto