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quarta-feira, 14 de março de 2018

Respiração Vital


Nuvens passam escorregando no céu
Outras partem pro descanso eterno
Correm com pressa
Como se a luz partisse em pedaços

E essas tão belas flores?
Que fenecem como a palha ao fogo
Tão passageiras quanto meu grito
Tão efêmeras quanto a nevoa

Assim é minha vida terrena
Um apressado respiro alado
Que ressoa na imensidão cosmica
Pra repousar nas mãos da eternidade

Clavio J. Jacinto



Orgulho e Ignorancia


NUVENS


A mim que me concedas
Coração nublado, cheio de granizos
Pensamentos  mais pesados
Alma cativa em tantos pesares

Como erva rasteira
Que cativa do pó da terra
Chora os orvalhos noturnos
Perolam poluídas na dor

Eu que coleciono gemidos
Entulhos sem paradeiros
Num coração carente de luz
Suspenso no tempo do meu ser

Nas margens desses ninhos sonâmbulos
Como agonizam os anseios
De uma  vez por todas sair dessa prisão
Que tanto fere os sorrisos

Levanto-me da noite do cárcere
Das madrugadas dos pesados grilhões
Meus pecados são tantos
Bem mais milhares de milhões

Uma estrela brilha diante de mim
Amanhecer tão belo, brilho  absoluto
Raios de graças em Cristo me libertam
Chegou a Vida, fim de meu triste  luto

(Clavio J. Jacinto)

segunda-feira, 5 de março de 2018

DIGITAL


DIGITAL


A multidão antes, menos nociva
Era de pedra e  com o pó, não narcisista
Como a lua agachada na lama
Refletida no pouco abismo da noite

Fogueiras e faíscas acesas ao léu
Revelavam a face assustada da infancia
Uivo de lobos e  a voz do vento bravo
Breu e silex, a tenda das folhas de outono

Corvos e borboletas no bosque da vida
Arvores frondosas nas montanhas felizes
Veredas e córregos no augusto jardim
Balanço de brisas nas folhas dos capins

A arte rupestre entre as pedras brutas
Mil sombras e conceitos primitivos
A voz ressoante da calamidade labuta
Vôo sequestrado de dardos perdidos

Num lapso, a pagina da historia vira
O antigo se renova e tanto brilha o licito
Entre sons de robôs rabugentos e malucos
A síndrome do cambio de meus dígitos

Da foice, punhal de luz que corta a ilusão
O tempo que mata archotes escuro, morta
Bips e flashes, o luzeiro na face dos Urais
Eu e o sistema em transe impoluto jaz

Num cérebro de cores matrizes chega
A minha vida e a de outros, nesse sistema
Fios que tecem o tapete desse claustro fatal
Grilhões nos prende no mundo digital

As vozes vacilam na minha intermitência
As vagas cintilações de um aço insano
Eu e tantos outros se livrando dessa teias
Que prendem nossa alma no fugaz engano

Livre desses penhascos cintilantes e virtuais
No solo sem nuvens, sólidos pensamentos
Ouço o estampido da tempestade e a chuva
Estou vivo, resgatei a essência dos momentos...

Clavio J. Jacinto


quinta-feira, 1 de março de 2018

A ALMA PEREGRINA.


Ai de mim, que indo mundo afora
Partindo vou indo embora
Como peregrino solitario ando
Quem meu caminho irá iluminando?
Ai de mim, que em densas flores mortas
Onde jardins suspensos na alma torta
Retorcida por más ações e vis desejos
A parte invisível do além eu vejo
Que geme o coração dentro de mim
Angustia de ver tudo chegando ao fim
Quando olho os grilhões do meu passado
Quem me livrará desses atos pesados?
Quando em terna alma, meu eu enviltece
Meu ego orgulhoso, em vão esclarece
(Tens boas ações e tantas coisas mais nobres)
Mas ai de mim, que vejo a alma tão pobre
Ah, meu Deus! uma luz vem brilhante
Me assusta por um breve instante
Eu olho o fulgor num livro tão velho
Luz que resplandece, a graça do evangelho
Oh, que alegria veio sobre meu coração
O Senhor em Espirito me estende a mão
Resgate, remissão, salvação e tudo de graça
Por tão linda luz, minha alma perpassa
Comprado pelo preço de sacrifício
Minha alma suspira por tudo isso
O evangelho da graça por Cristo me alcança
E por tão grande obra, minha alma descansa
Não mais temo seguir o futuro
Minha alma vai alegre ao bendito porto seguro
Clavio J. Jacinto

Aurora da Eternidade


Vi entre as montanhas (as névoas)
Ordinárias vestes do céu na terra
Manto branco que se dilui nas (Manhãs)
Como estrelas mergulhadas no infinito
Flores silvestres banham-se de vento
Libertando aromas da doce tranqüilidade
Como borboletas invisíveis (flutuantes)
Chegam ao santuário de meu olfato
A erva verde tosquiada pelo (orvalho)
É mar de brinquedo em lindas gotas douradas
O sol transforma cada perola das manhãs
Em cristais de jóias resplandecentes (ensolaradas)
Quem me dera substanciar todos (Os sonhos)
Na erva cidreira a minha alma (adormece)
O mel da rocha em frescor de muitas doçuras
Meu sentimento transportado aos montes
Lá do outeiro, vejo o silencio da aurora
No desabrochar de forte e perene (Felicidade)
Pra sempre se findou a espada e (A guerra)
Estado eterno (Novos Céus e Nova Terra)
Dou graças a Deus e a misericórdia brilha
Como a jóia mais preciosa incrustada no (coração)
Eu grito, louvo choro (Pulo de alegria)
No céu pra sempre minha voz de (Gratidão)
(Autor: Clavio J. Jacinto)

CALICE DE TODAS AS NOITES

CALICE DE TODAS AS NOITES

Bebi desse cálice da noite
Para adormecer num berço de sonhos
Sonhar com a compaixão e o amor
Um pomar de cerejas e sorrisos

Mas algo estranho sonhei
Num vale escuro estava só
Entre lírios de agonias e rosas de dores
Como uma nuvem algemada no mar

Terra sem colinas, oceano sem campinas
Num terra de poeira fria e ventos
Onde algemas eram abrolhos
Outono dava luz aos espinhos

Assustada minha alma recuou
Em vulto de gritos da terra e lamentos
Na vaidade de minhas sortes inuteis
Com o coração disparado nessa condição

Mas um brado, estrondo de um eco santo
De uma voz altissonante, veio e me despertou
Entre as batidas da vida e véu rasgado
Despertei entre a estrela bendita, a alva

De sonho tristonho ao céu olhei
Real consolo de mui grande amor que ardia
De um Santo Salvador que na cruz morria
Seus braços feridos a mim se estendiam

E eu tão feliz, cantarolava
Na noite em orvalho bendito dançava
Quando pro alto a minha tremula mão, estendia
Dando graças a Deus, feliz agradecia...

Clavio J. Jacinto