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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Alcançar o Amor


Alcançar o Amor

Como nuvens que flutuam
No céu do coração infinito
Ai da minha dor e saudade
Do amor aceso, pedaços de tarde
Que fogem, como as ondas do mar

Feliz sem crer no afeto
Mãos vazias, as algemas das palavras vãs
Num certo dia de outono frio
Onde a doce melodia dos cântaros
Vasos vazios como coração sedento

Ai da minha alma de triste fome
Um vazio, buraco e brechas internas
Portos sem cais nessas turbulências iradas
Eu sou mesmo fel de amargura
Nessa intrépida cor do absinto

Mas longe vai meus braços
Como se a linha do horizonte dedilhada
Pudesse ressoar meus puros anseios
A falta de um amor mais grande
Tamanho do universo sem fim

De repente, um toque, um êxtase
Uma lembrança, uma lampada incandescente
Como mil sóis girando na revelação
Eu vejo o repouso suave nas mãos do coração
O amor chegou manso e agitou toda minha alma...

Clavio Juvenal Jacinto

quarta-feira, 3 de maio de 2017

A BRISA E O CAIS



No cais dos ventos, vi a poupa da seda palha.
Pobre alma sem trigo, uma casca de duro pão,
Assim também sou,  uma  breve sombra solta
Um sopro na folha e no amargo do gengibre

Na praia do norte, nos navios de cinza cristal,
Como a erva que chorou no berço da geada
Eu também sofri a seca desse fastio de choros
Um alento nas tardes ébrias, depois das chuvas

Vou seguindo em mares, em canoa sem fundo.
Num pé de vento, descalço entre as nuvens tímidas.
Meu ser submerso nas águas desse pergaminho

Escrevo a brevidade de minha tão acuada vida
Nos lamaçais do suor, da face mais triste da canção

Tomando vinagre, em goles, como se fosse o doce vinho.

CJJ

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Francis Schaeffer e A Morte da Razão

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Celeiros Imaginários

Se eu em vagas nuvens vou
peregrino e só no céu iluminado
Berço de estrelas e abrigo de ventos
Prisão livre de meus "ais" e lamentos

Se em celeiro de tantos astros
Vago vou em sorrisos quebrados
Com as flores desse campo de paz
Sigo a tarde que desfaz a luz do dia

Os tais choros de nubentes nuvens
Revestida da alva, a mais pura brancura
Como as ausências em blocos de ermos

Em vagas nuvens vou embora
Como os relâmpagos que tecem as estrelas
Fios de luz que matam o meu medo
Pois do trovão a alma estreme meu susto

Clavio Juvenal Jacinto

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Armagedom Sem alma

Com ânsias de dor
As almas recolhidas clamam
Nesses vales tártaros do mundo
As guerras semeiam o pão do medo
As luminárias de canhões sedentos
Cospem mil lampejos como um ébrio
Que grita pra triturar a noite

O arco e a flecha se beijam
As espadas caçam suas presas
O "ai" fecundo de todas as mortes
Quando o amor sufocado morreu
Vi as carpideiras chorando as avessas
Era o mar das angustias que aforam as almas.

Clavio J. Jacinto

Sonhos de um Peregrino

Viajo por apriscos de nevoas e flores
Onde os lírios cantam
O mar sonha com a imortalidade

Viajo no aroma dos perfumes
Como a alma pintada na luz
No céu de estrelas distantes

Viajo nas partículas dos sonhos
No contraste entre céu e oceano
No leito de um rio faminto

Viajar dentro de mim mesmo
O jugo da liberdade de sorrir
Quando já o mundo lamenta tantas dores

Clavio J. Jacinto

terça-feira, 18 de abril de 2017

Universo Profundo


O fim da tarde Chegou
Como as Luzes de um poente silencioso
A beleza do entardecer
é refugio para a alma vigilante
Pois quando a escuridão chegar
A alma em sobriedade
Ainda bebe das luzes que cintilam
Na noite do universo profundo.

Clavio J. Jacinto