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sexta-feira, 17 de março de 2017

Monturo das Lagrimas

Ai! ai! homens do mundo
Quão arruinados são vossos caminhos
Semeastes egoismo e colhestes desertos
Semeastes tanto orgulho
Que agora lamentas no monturo de tuas lagrimas

CJJ

A Luz do Amor

O amor
Ah o amor!
prova irrefutável
que quando estou vivendo o amor
a luz da eterna aurora da esperança
está acesa e ilumina o homem e
os escombros
e todas as ruínas desse mundo tão sofrido

Clavio J. Jacinto

segunda-feira, 13 de março de 2017

Ervas do Campo e Sonhos Solitários

                                             
Ervas do Campo e Sonhos Solitários

As ervas florescem nas verdes campinas
Se escondem nas sombras da tarde e nos prados
Desabrocham em alegrias, nas manhãs de outono
Na silenciosa aurora e no canto dos sabiás

As chuvas consolam a solidão delas
Flores tão lindas, pequenas almas de perfume
Guardiãs de todos os segredos da primavera
Das verdes folhas. Vejo o tom das tulipas amarelas

E eu sentado em uma pedra solitária
Coluna e altar de minhas campestres reflex~]oes
Vendo as montanhas sonhadoras do entardecer
Nas tendas de arbustos e paisagens de verão

Com a alma terna sacudida por  vendavais
Vou eu, águia da terra, murmurio dos bambuzais
Com impeto de espera, ver as as chuvas  lapidadas
Com o  sol tingido pra cada nuvem ficar dourada

Sou parte da alma da relva, num campo de coração florido
Que nas bucólicas noites de inverno, tinha minha mó partido
A alma dos aromas da terra macia que abraça meus pés
O amago do momento nas sobras do tempo, a solidão

(Vou  embora, do campo das ervas ao cais da vida. Pois debaixo de meus pés,  partindo eu, deixo as folhas feridas.)



Clavio J. Jacinto

quinta-feira, 9 de março de 2017

Dançando na Aurora


No frescor da manhã, o vento dança
Abraça a alma com um amor humilde
Esta é a canção da iluminada aurora
Um oceano de felicidade está diante de mim

O sol fecunda a primavera e suas flores
Na praia, a areia entoa o reflexo de luz
Um brado do romper da gloriosa manhã
Minha alma abraça o êxtase da alegria

Sopra a brisa entre as perfumadas rosas
A sega não pranteia a demora do verão
Como lampadas que esperam a chagada da noite
Minha alma entoa a doçura do mel da manhã

Pois se porventura a noite passar
Ferindo com espinhos de pontas, a escuridão
Abraça minha alma, a corda de todas as estrelas
Não solta as rédeas, retende-as nas mãos


Porque a alma na luz dança abraçada com a aurora


Clavio J. Jacinto

terça-feira, 7 de março de 2017

A Chuva em Meu Rosto

A vida tem as suas glórias
Escondidas na alma da simplicidade
Eu almejo tocar as nuvens
Esses algodões  flutuantes
Que em naves atmosféricas, carregam águas
Oceano de orvalhos, que refrescam os céus
Nunca consegui tocá-las
Com minhas pobres mãos
Um dia
Quando ao entardecer chovia
Senti as gotas da chuva
Bater e escorregar pelo meu rosto
As nuvens estavam me tocando...

Clavio J. Jacinto

sexta-feira, 3 de março de 2017

Treblinka

Treblinka (Desesperationis)

"Senhor, se as nuvens são o estrado dos Teus pés, como estás perto no dia escuro e nublado!" (Anonimo)

As nuvens escuras desceram nos corações duros
Como ervas sinistras em solo frio e infecundo
As pedras gemem nas entranhas do mundo sem luz
Na sinfonia do medo e o sorriso da infausta morte
Homens fardados adornados de escuridão macabra
Retalham a esperança das crianças fracas
Afogam nas lagrimas os sonhos de virgens inocentes
Oh treblienka! Treblinka!
Tuas naus de sombras naufragaram na história
A vergonha do homem cruel, filhos do próximo pesadelo
Perpetuaram no tempo, a violência cega e inútil
Eu ainda ouço aqueles gemidos da noite medonha
Um fardo de inquietações que roubavam o sono suave
De todos os descampados vinham as almas da amargura
Buscando nos átrios do templo da insensibilidade
As respostas para uma vida de estranhos enigmas
Ali estiveram os homens mais bravos da terra
Mas  as famílias escoaram-se  pela túnel da desgraça
Depois do inverno uma  humilde flor nasceu
Pra tentar adornar com perfume a crueldade humana


Em homenagem as vitimas do campo de concentração de Treblinka, Polonia, na segunda guerra mundial

Clavio J. Jacinto

quarta-feira, 1 de março de 2017

Dachau (Desesperationis)



O tempo deu um vulto memorável, a sombra
A devastação da história na devassa vergonha
Como as serpentes loucas que fogem do temporal
Nesse orbe de lama e tantas mortes: Dachau

Tal qual temporais breves, famintos e sinistros
Que deslizam no céu e sugam a poeira do choro
Meninos escondem o sorriso entre os trapos
Mulheres abortam a alegria de viveu os sonhos

Esse rio caudaloso de tantos puros choros
Poetas já não encontrar o aroma da inspiração
Nos olhos amedrontados, uma incerteza sem igual
Nesse vale infausto, de dura morte: Dachau

Os vultos e as sombras ali estremecem
Como perpetua hora de um épico sem fim
Moças sem lenços, derramam a foz do silencio
Crianças ouvem o sarcasmo de um ultimo “ai”

Todos os sonhos que não vimos e pesadelos
Sobre essa tenda do medo, em caos calafrios
Germinaram na noite, a dor da vida anormal
Nesse mal pressagio de uma nocente vida: Dachau

Quem te consola com voz suave, ancião torturado?
A vida pregou a mensagem lesiva da violência humana
O prazer da dor está nos olhos daquele que não sente
A agonia do sofrimento é a herança daqueles que padecem

Tais são os homens brutais, nessa daninha encenação
Desse covil do poder e a fome do fétido orgulho
Quando o mal vira artista, faz uma mórbida peça teatral

No palco da vida, ao mundo aberto: é Dachau...


Clavio J. Jacinto