quarta-feira, 18 de janeiro de 2017
Pródigo e Errante
I
O pródigo partiu, levou consigo seu pobre coração
A alma saturada de desventuras, fel adormecido
Longe, na sequidão da consciência, pensamento infértil
II
O prodigo devasso, enfatuado, largou a proteção paterna
Num saquitel levou as moedas do coração vazio
Numa festa coroou seu egoismo, liberdade entrincheirada
III
O prodigo cavou um covil, pra em vão pelejar a solidão
Nele, um sepulcro em si mesmo, a fome da saudade do afeto
Prostrou-se diante dos suínos, lambeu a lama, corado chorou
IV
O prodigo foi atingido pelo lampejo da vergonha luminosa
pensou e levantou-se, albardou a sua alma e foi embora
Afetos paternos, metafisicas consolações, consciência restaurada.
Clavio Jacinto
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
A Torre (Memorândum)
Erguestes os teus braços inúteis ao céu
Torre de tijolos, cidade pérfida de Babel
Na confusão de quem semeia tantas desigualdades
As penúrias de tuas ultimas palavras e muitas ofensas
Em impias calamidades e vasto orgulho erguestes
Tão dura quanto o aço da torre Eiffel é a teimosia
As flores mais mortas e o réu entulho de teu pó
Tu que queria usurpar as estrelas e os castiçais
O universo está entrelaçado no fio de um filamento
És a torre que escurece em sombras na noite vazia
Riscos indecifráveis com betume e argamassa fria
Incitastes a peleja humana na comunidade oca
Como uma nau ferida tocando a alma dos fundamentos
Caístes babel! Como um papel transmutado em lixo
Como mistura de palavras, uma vara ceifada sem dó, derrubada
Ficastes corada, prostrada na tua própria decepção
Pois o vinho do pecado te embriagou nas ruínas
Ai de nós, mortais tão antigos e breves contaminados
Austeros deformados, na perdição do lucro de teus vicios
Teus tijolos são letras e teus murmúrios frases sem nexos
Não tens poemas exótico, só palavras confusas
Fizestes sufrágio pra naufragar tuas escolhas
Numa confusão de línguas e cambulhada de letras
Um não entendeu a mixórdia do outro desordenado
Para o chão seguiste em perpetuo sono mortal
Para criar nos reinos, eterno conflito desalmado...
Clavio J. Jacinto
Torre de tijolos, cidade pérfida de Babel
Na confusão de quem semeia tantas desigualdades
As penúrias de tuas ultimas palavras e muitas ofensas
Em impias calamidades e vasto orgulho erguestes
Tão dura quanto o aço da torre Eiffel é a teimosia
As flores mais mortas e o réu entulho de teu pó
Tu que queria usurpar as estrelas e os castiçais
O universo está entrelaçado no fio de um filamento
És a torre que escurece em sombras na noite vazia
Riscos indecifráveis com betume e argamassa fria
Incitastes a peleja humana na comunidade oca
Como uma nau ferida tocando a alma dos fundamentos
Caístes babel! Como um papel transmutado em lixo
Como mistura de palavras, uma vara ceifada sem dó, derrubada
Ficastes corada, prostrada na tua própria decepção
Pois o vinho do pecado te embriagou nas ruínas
Ai de nós, mortais tão antigos e breves contaminados
Austeros deformados, na perdição do lucro de teus vicios
Teus tijolos são letras e teus murmúrios frases sem nexos
Não tens poemas exótico, só palavras confusas
Fizestes sufrágio pra naufragar tuas escolhas
Numa confusão de línguas e cambulhada de letras
Um não entendeu a mixórdia do outro desordenado
Para o chão seguiste em perpetuo sono mortal
Para criar nos reinos, eterno conflito desalmado...
Clavio J. Jacinto
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
O Conceito do Imaginario
Recolhi nas manhãs do meu faz de conta
Essas perolas celestes do sofrer sem fim
Como as estrelas que fumegam na praia
Pedaços de nuvens luminescentes adormecidas
Um réu sou e condenado, por tão pouco sonhar
Não há caminho mais doido do que o faz de conta
Como o amor que rege o coração no céu vazio
Ou como o inverno que sustenta o frio
Cada rastro riscado no céu e na penumbra
Foi deixado por jatos apressados e flutuantes
Escrevem a loucura das tantas imaginações vãs
De nós pobres homens renascidos na rotina
Um condenado ao sonho perpetuo sou
Confinado num mar, como tristão da cunha
Colecionador de grãos de areia e estrelas
Perpetuando a paciência e o sofrer calado
Amo prefácios e as paginas de livros pensantes
As águas das nascentes de um poço sem fundo
Condenado a sonhar, percorro a via dolorosa
Do faz de conta e das metáforas que o coração cria
Ei de sustentar parábolas e hipérboles nas mãos
Como os mais lúcidos espelhos diante das esmeraldas
Estou cansado, minha alma está tremula e fraca
Os anos são praias, que recolhem-me sem dó...
Clavio J. Jacinto
Essas perolas celestes do sofrer sem fim
Como as estrelas que fumegam na praia
Pedaços de nuvens luminescentes adormecidas
Um réu sou e condenado, por tão pouco sonhar
Não há caminho mais doido do que o faz de conta
Como o amor que rege o coração no céu vazio
Ou como o inverno que sustenta o frio
Cada rastro riscado no céu e na penumbra
Foi deixado por jatos apressados e flutuantes
Escrevem a loucura das tantas imaginações vãs
De nós pobres homens renascidos na rotina
Um condenado ao sonho perpetuo sou
Confinado num mar, como tristão da cunha
Colecionador de grãos de areia e estrelas
Perpetuando a paciência e o sofrer calado
Amo prefácios e as paginas de livros pensantes
As águas das nascentes de um poço sem fundo
Condenado a sonhar, percorro a via dolorosa
Do faz de conta e das metáforas que o coração cria
Ei de sustentar parábolas e hipérboles nas mãos
Como os mais lúcidos espelhos diante das esmeraldas
Estou cansado, minha alma está tremula e fraca
Os anos são praias, que recolhem-me sem dó...
Clavio J. Jacinto






