Percorro o hemisfério de meus sonhos,
a via-sacra das minhas lágrimas frias;
o tear que tece as pétalas das flores,
o pincel que renasce a aquarela na pele.
Tecidos de sonhos e escarpas nuas,
onde o gelo desenha a infâmia invernal,
trama o drama das dores infiéis
no nostálgico campo de lilases azuis.
No auge da terna chuva que ressoa,
do sopro furioso dos ventos, a criação;
os mares das campinas e dos córregos,
o espetáculo do medo em minha alma.
Oh, intensa calma e seus ruídos,
labaredas vorazes e os atritos da noite;
meu consolo é a órbita das folhas áureas,
o escrito das vertentes de mim mesmo.
E, quando enfim fui fugitivo
nas caladas nebulosas de meus caminhos,
num súbito encontrei Deus e a fé:
na vida, não estarei mais sozinho.
C. J..Jacinto
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