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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Espinhos na Tempestade




Fragilizado, meu coração é açoitado  

por tempestades furiosas.  

Sob o peso da dor de sonhos despedaçados,  

oscilo entre a incerteza e a fé.


As náuseas me acometem.  

Espinhos profundos laceram meu peito,  

martirizam a alma —  

mas não me levarão ao naufrágio.  

O mar é profundo, sim,  

mas a eternidade é infinita.  

E eu me recuso a sucumbir.


Os ventos sopram com fúria.  

À deriva, busco um destino.  

Olho o céu: o brilho da luz  

oculta-se atrás de nuvens densas, sombrias.  

Abaixo, ondas encapeladas  

agitam-se como bocas vorazes,  

prontas a me engolir.


Habita em mim um temor profundo,  

que nada neste mundo apazigua.  

Todavia, volto os olhos ao firmamento.  

Meu coração também anseia por esse horizonte,  

esperando que uma fresta se abra  

e a luz celestial enfim me ilumine.


Embora os grilhões da nostalgia tentem me deter,  

prossigo resoluto em meio à tempestade.  

Quero alicerçar meus passos  

numa esperança que transcende o efêmero  

e se ergue, inabalável, diante da eternidade.


Para transcender o abismo  

do meu próprio colapso  

e alcançar a libertação,  

volto meu olhar ao Cordeiro de Deus,  

que tirou o pecado do mundo.


C. J. Jacinto

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