Fragilizado, meu coração é açoitado
por tempestades furiosas.
Sob o peso da dor de sonhos despedaçados,
oscilo entre a incerteza e a fé.
As náuseas me acometem.
Espinhos profundos laceram meu peito,
martirizam a alma —
mas não me levarão ao naufrágio.
O mar é profundo, sim,
mas a eternidade é infinita.
E eu me recuso a sucumbir.
Os ventos sopram com fúria.
À deriva, busco um destino.
Olho o céu: o brilho da luz
oculta-se atrás de nuvens densas, sombrias.
Abaixo, ondas encapeladas
agitam-se como bocas vorazes,
prontas a me engolir.
Habita em mim um temor profundo,
que nada neste mundo apazigua.
Todavia, volto os olhos ao firmamento.
Meu coração também anseia por esse horizonte,
esperando que uma fresta se abra
e a luz celestial enfim me ilumine.
Embora os grilhões da nostalgia tentem me deter,
prossigo resoluto em meio à tempestade.
Quero alicerçar meus passos
numa esperança que transcende o efêmero
e se ergue, inabalável, diante da eternidade.
Para transcender o abismo
do meu próprio colapso
e alcançar a libertação,
volto meu olhar ao Cordeiro de Deus,
que tirou o pecado do mundo.
C. J. Jacinto

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