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quarta-feira, 15 de outubro de 2025

(Calamidade)

(Calamidade)

No caudaloso choro, esse formidável rio da alma,
Encontra-se fecundo o lamento que desabrocha em gritos.
São prósperos os gemidos de uma dor insólita,
Fartura nas relvas de lágrimas inóspitas.
O labor da dor, o sopro da desolação.

Quem me dera um bálsamo aromático
Para suturar as fendas das breves ofensas,
O copioso clamor desta vida sangrada e volátil.

E que belas são as estrelas do pobre coração
Nesta travessia perpétua de palavras!
A taciturnidade de três dias, a minha esperança,
O repouso, a santa calma, uma só atenção.

E depois de tanto híbrido, o meu choro
Diz à alma tão penada: “Vai-te embora”.
Encerro-me no despertar dessa correção,
Na sapiência esperada de uma nova ponderação.

(Clavio J. Jacinto)

 

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