quinta-feira, 21 de maio de 2020
A Glória da Imortalidade do Amor
A Glória da Imortalidade do Amor
No claustro de teu olhar eu vejo um grito
Um caos de lagrimas perdidas que ferem
Clamores flutuantes num universo de sorrisos
Gritos sufocado num infinito de sonhos
As prisões dos sentimentos nos libertam da terra
Duas almas se unem para formar o cosmos
Na imensidão de tantos beijos nascem estrelas
No depósito dos abraços nascem outros princípios
Os bramidos desses mares de declarações fortes
Impérios de muros que nos libertam da morte
Que gladiam contra a infausta fatalidade
Até que o amor germine fecundo na imortalidade
E dessa glória do coração que emerge em lirios
Nas canções elevadas que perfumam as harpas
Nasce o sol de toda a esperança logo a nossa frente
Apenas esperando que o amor germine para sempre
CLAVIO J. JACINTO
LABOR DE UM ULTIMO SUSPIRO
Ceifado está meu
coração jaz em flores
Nostálgico no néctar das
borboletas sonolentas
Como alma sólida
desprendida dos orvalhos
Náufraga na relva do
chão da minha vida
É melhor a solidão com
pensamentos fecundos
Do que a multidão das
imaginações estéreis
O olhar que contempla a
estrela da manhã
É mais profundo do que
os olhos da escuridão
É melhor descansar no
jazigo de meus sonhos
Do que na agonia das
tempestades de meus desejos...
CLAVIO J. JACINTO
quarta-feira, 13 de maio de 2020
MARCHA SANGRENTA
Quando caem as folhas
no começo do inverno
Como asas partidas da
estação que voa embora
Nos jardins desfloram
rosas que choram orvalhos
Nos prados choram lírios
que desbotam ventos
Quais chagas enlutadas
de dores fecundas
Que frutificam amargas
gotas de suores trópicos
Nas férteis plagas
desses dilúvios de dores
A alma flutua nas turbulências
desse caos
As torrentes de essências
jorram aromas
Os olhos lacrimais
dessa noite de lua acesa
Nos lagos estão atados
as fabulas de tais poemas
A vida segue rente ao plácido
dilema
Quando imprime o selo
dessas ventanias
No chão desse coração cárcere
tão frio
Ai de mim que me
arrasto nessas celas vazias
Onde os vasos são
sepulturas de flores
Toda a erva que rasteja
na face da terra
Canta celebre ao tom de
minhas amarguras
Para que irrigue o
baldio de meus pensamentos
Para tentar germinar
toda esperança
E eu dando as mãos a
todos sofredores
Faço junção ao grito de
todas as calamidades
Na certeza de consolo a
todas nossas dores
Descanso na promessa
das sublimes verdades
E sendo agora um dentro
dessa multidão
Desses que gemem no
cume de tantas agonias
Buscando sorver da
graça dentro do coração
Ressurgindo forte dessa
estação morta e fria
Marchando dentro desses
fortes vendavais
Uma lâmpada vital em
tão densa escuridão
Fortalecendo a alma
toda ainda mais
Crendo firme que a fé
jamais será em vão
MAR PERENE
Das montanhas distantes
um porto perene
Singrando navios de
sonhos incendiados
Imaginárias naus de
toda infância inocente
Numa constelação
profunda de todos os sorrisos
Quando o porto do norte
descansa nas nuvens
Almas da madrugada
revestidas de arroios
Aquele repouso de todos
os orvalhos em pétalas
Nos faróis de uma
cadente estrela aos olhos
A boreal aurora de meus olhos brilhando
Ao ver fecunda luz dos
espaços no infinito
Que reluzem em glórias
refulgentes na geada
Sobre as flores das
laranjeiras silenciosas
Que doce é a vida! Numa
infância alada
A alma nostálgica com
seus fardos de saudade
Coração tristonho
orbitando bolinhas de gude
Lábios puros beijando
amoras silvestres
Ao despertar do sonhar
tão acordado
Olhando pra minha
solidão infausta e sagaz
Relembro os tempos épicos
de meu passado
Inconformado, lamento,
não voltam mais.
(Clavio Juvenal Jacinto)
sábado, 2 de maio de 2020
CANÇÕES DE UMA VITAL AGONIA
I
Sob O Sol régio dos áridos descampados
Onde jaz agonizando a minha alma tardia
Amálgama de névoas e sombras da noite fria
Meu cimo pálido de ventos frontais
Assola minhas inquietações ainda mais
II
Não quero ouvir essas ilusórias vozes órficas
Nem me ater aos sonhos dos maribus
Pois vejo na sacra vinha o sangue mais vivo
Mesmo que esteja no fundo naufrago da vida
As vozes cálidas dessas tempestades caídas
III
E eu no mundo dos elos perdidos faciais
Onde jaz pérfida a razão dos pragmáticos
Jazigo de sonhos que prendem todas fragrâncias
Fugidia alvorada de toda minha obscuridade
A burla eloqüente dessa vã sociedade
IV
As quimeras de todas minhas respirações
Fogo que devora o codex do pacto quebrado
O que me assusta nesse nostálgico momento
é que a graça divina me atinge por dentro
Em feridas e brechas de meus arrependimentos
Clavio J. Jacinto

























