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terça-feira, 3 de abril de 2018

A FÉ, A ESPERANÇA E A TEMPESTADE

A FÉ, A ESPERANÇA E A TEMPESTADE

A esperança é a primavera que floresce no coração que recebe a luz da fé
As nevoas das aflições nunca resistem o esplendor dessa luz
A dor do mundo não apaga esse resplandecer
O homem que crê no evangelho
É como o farol que  resiste as intempéries do mar
Ainda que açoitado pelas ondas e pelo vento
Permanece firme guiando com sua luz
Aqueles que procuram uma direção segura.

Clavio J. Jacinto

IMPENITENTES

IMPENITENTES
Expõe tuas metáforas homem moderno
Teus sentimentos são de plásticos
Sem denuncia-los estão sepultados no chão da vida
Como dores recicláveis e escondidas
São ramalhetes de rosas artificiais
Num vaso de papel que não resiste a chuva
E como favos sem mel
A cera é a face de tuas mascaras
Tão réprobas quanto as asas de Ícaro 
Que luz rutilante alumia teus passos?
Se deveras aludes a ti mesmo em fel de flores
Como a posca que torna-se absinto
Nos lábios de quem tanto beijou a misericórdia
A foz de teus rios de almas
Dançam em serenatas de pecados
Como ébrios alucinantes buscando a porta da noite
Verás tu a vastidão de tuas arvores sem frutos?
Como ninhos de soberba
Andas no circuito vital das ânsias desesperadas
Como flamejar de pecadores em soluços
Num Calvário tudo foi posto em lenhos
Mas fenece teu olhar de arrependimento
Preferes perder-se dentro dos devaneios
Olhando para ti mesmo.

(Clavio J. Jacinto)


Jardins Cósmicos.





Lembranças cósmicas flutuam dentro de mim
Como folhas envelhecidas remanescentes de jardins
Retorcidos estão meus pensamentos do passado
Como aço de ruínas antigas que jazem no campo santo
Quando as cordas do amor rompem-se em seus ninhos
Nós pobres sopros de perfumes aprisionados
Gememos nos cárceres vítreos do tempo que nos leva
Congeladas as névoas dessas manhãs  do passado
Despertamos para a aventura de toda a nossa infância
Uma peregrinação para os espinhos da saudade
Um mergulho para os tormentos estelares
Pois se em uníssono  canta o coração derramado
Como o sorriso daqueles que nunca mais choraram
É certo que o tempo passou por mim
Deixando rastros como estrela cadente
Nem sequer deixou meus anseios ausentes
Pois em pedras derrapam aqueles sussurros secos
Como se um deserto sem areias debulhassem minhas aventuras
Ouço o vento levando todas as areias
Daquela ampulheta que contava todos os meus dias
Que me resta senão os papeis das paginas coloridas
Das epopéias de uma juventude  agitada
Desses pórticos e naufrágios perdidos
A ilha do meu passado e seus faróis
Apagam-se entre as tempestades da vida presente
Apego-me nas palavras que caem da eternidade
Pó incandescentes  que desliza até a minha face
Para iluminar os últimos passos da minha brevidade...

(Clavio J. Jacinto)

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Estação Polar


O mar revolto em ondas beijam as pedras
Filhos do rio das montanhas silvestres
Encontro das águas desses lamaçais
Como se alpendres celestes vulgo estelares
Brotassem nas nascentes da vastidão

Os musgos sedentos bebem de orvalhos
Uivos de ventos do perfume descampado
Libélulas nas planícies das pétalas
Flutuam como a lua depois dos vendavais
Entre os sinos dos lírios que adormecem

A poeira dança como restos mortais do fogo
Aquelas faíscas que o vento arrebata
Escrevendo no escuro da noite  a frase
Que todo infante medroso gosta de ler
Para adormecer no leito dos sonhos

Vamos descansar nessas pedras lavradas
Na praia do aconchego do horizonte alumiado
Como uma estrela na margem do polo sul
Estendida pelo seculos até a estação do norte
Onde as tendas da minha alma me aguardam

Clavio J. Jacinto

Castelos de Sonhos




Ouvi dizer que nesse  vão mundo
Tanta gente sonha em mil vaidades
Recolhendo areias das praias das lágrimas
Contando estrelas no fundo do mar

Cantam os sonhos em dó maior
Dançam nas chuvas das tempestades
Querem possuir todos os rostos da dor
Para fingir que o fazer de conta é real

As águas desgastam tantos sonhos
Quando congelam na nevasca leve
Sonhar com as coisas mais passageiras
Anestesia o engano da vida breve

O que fazer em meio ao caos perene
Da vida que escraviza a filosofia?
Se destilando ao mundo a sabedoria
Apenas fortalecem desejos insolentes

As marchas desse caos prosseguem
O véu disfarça os castiçais dos lamentos
Em busca da breve felicidade terrena
O homem encontra só o sofrimento

Mas se permitires essas névoas evanescerem
Como a fumaça das palhas ao forte vento
Colherás a visão verdadeira e mais distinta
De verdade escondida no dourado momento


A vida em suas mais vivas tonalidades
É  feita de fé alicerçada em solida prudência
Quando deixares as vãs sombras das vaidades
Verás que crer em Deus, não é rotulo, mas essência...


(Clavio J. Jacinto)

O CAMPO E AS FLORES


As flores do campo são estrelas da primavera
Brilham nas cores do arco celeste
Fragmentos do paraíso que incendeiam os olhos
O coração pulsa mais forte que uma supernova

A sinfonia dos ventos se junta aos pássaros
A inspiração é a alma do sentimento que chora
As delicias da doçura dos lírios silvestres
São os pães que saciam a fome pelo belo

Que os aromas dessa brisa fria das manhãs
Cubra nossa alma de santo  esplendor
Pois como a vivacidade de um jardim florido
A vida só ganha brilho quando enxergamos o amor

Este é a visão do alto no cume do firmamento
Onde a vida emancipa-se nas  das luzes da providencia
Quando vivemos o belo pelo caminho seguro da fé
Entramos no paraíso mais rico de toda a coerência

(Soli Deo Glória)

Autor: Pr Clavio J. Jacinto

quinta-feira, 29 de março de 2018

Peregrino Descalço

Peregrino Descalço

Sou peregrino torturado
Meu próprio eu me escraviza
Exige de mim mesmo culto
Aplausos quer de minha alma
Adoração do meu pobre coração
Oh! meu Deus!
Quem me livra dessa condenação?

Sou ferido pelo meu ego
Cargas e tributos dos meus pecados
Algemas de ferro de um rebeliado
Dessa dor tão amarga sensação
O ego exige de mim a devoção
Oh Santo e Misericordioso!
Livra-me dessa perdição

Sou forasteiro ferido
Fendas e rachaduras interiores
Esses pecados do ego causam dores
Do antigo Adão veio essa contaminação
A voraz fome do ego ser adorado
Deixa-me sequioso fraco e torturado
Livra-me Senhor dessa danação!

No horizonte da graça encontro a cruz
Nela penduraram um tal Cristo Jesus
Descobri: é o Santo Salvador
Nesse brilho esperança e esplendor
Ouviu na cruz e respondeu na ressurreição
Meu grito agonizante por libertação
Meu ego perfurado em Suas mãos

Estou liberto dessa mortalha
Desse ego orgulhoso feito de pó e palha
Em Cristo Jesus sou morto e renascido
Ao Senhor louvo por tal libertação
Encontrei na morte de Cristo a salvação
Pelos pregos cravados em suas mãos
Dos meus pecados a completa expiação

Agora em santa e preciosa paz
Ainda grito na alma livre:
Oh meu Senhor: Não me abandone 
Jamais...

(Clavio J. Jacinto)