Pages

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Monótona Tarde


Os pardais cantam na tarde
Triste luar escondido na noite
O vento açoita as folhas desprendidas
Um lagar sem uvas, uma eira sem grãos
Assim sou eu perdido no silencio
Comungando com o fim do dia
Nessa escalada entre o passo e o futuro
Os pardais recolhem os grãos da chuva

Clavio J. Jacinto

Porto da Imensidão


Um grão de vida
Perdida na praia da eternidade
Eis a minha alma a vagar na imensidão
Quando todos os sonhos naufragarem na ilusão
Estarei sorrindo pelas estrelas celestes
Pois em diminuto ser tornei-me
Num grão de vida

Clavio J Jacinto

Sonambulas Estações

Nuvens  sem forma
São libélulas vazias, perdidas no céu
Sonhos flutuantes
Na porteira da eternidade
Tal sonho em tantos ruidos
O fogo imaginário e a luz do sol
Depois da alma acesa
A compaixão é o mais intimo fogo
A aquecer o espirito rebelde do homem
Quando amor começa  arder nos pensamentos.

Clavio Jacinto

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Claustro sem Luz



Se eu fechar os meus olhos
Eu não vejo a aurora
Se fechar meu coração eu não vejo a esperança
Mas se eu fechar-se por completo
Todo o meu ser 
Ficará em completa escuridão

Errante


Ha´sempre festa no céu
Os fogos estelares
São artifícios da dança cósmica
Aqui em baixo eu conto as estrelas
Eu desejo estar entre as galaxias
Sentir o movimento de todas as coisas
Mas meu pobre coração
Contenta-se em pular nesse grão de areia
Como se fosse uma tumba vazia
Tentando expulsar a minha própria alma

Clavio J. Jacinto

Noé e a Tempestade




Olho pela janela da arca da sobrevivência
Vejo um  homem arcaico e barbudo com um bordão
Ele anda desesperado pelas sendas do mundo novo
Chora a céu aberto entre os mortais anestesiados
Eu me aproximo pela fresta do meu medo
Pergunto aquele transeunte o que faz perdido no tempo (?)
Ele assobia ao vento, dançando ao cantar do galo
Olha pra mim com olhos chuvosos e diz
Vim buscar os meus dias para afoga-los na ultima tempestade
Era Noé...

Clavio J. Jacinto

As Lagrimas de Enoque


Ai! a solidão é tão solida
machuca o coração
Tão dura
corta minha alma
Tão fria
é a lapide da sociedade nua
Tão cruel e inóspita
Enquanto tu olhas para a tristeza da lama

Mas quando a lua insólita
Grita na voz sombria um eco de desespero
As estrelas despertam
E nela a minha alma se esconde

Ai! a solidão é doce
Quando no rastro das pedras lapidadas
Encontrei as lagrimas de Enoque

Clavio J. Jacinto