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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Coração e Gelo


Se ontem meu  vil duro coração frio
Sem nada a não ser no gelo, pairava
Numa estação sem vida, que retinha
Todas as flamulas mortas no silencio

Eu quebrado entre pedras, sonhava
Na sentença de um réu que chorava
A lapide desse vaso e a envergadura
Que coração seco, oh coisa tão dura

Mas dentro de mim, um tanto brotou
Semente de amor, lá em si germinou
No fundo do poço, do meu vil coração

Jardim de cores vivas, em mim brotou
Laço da ternura que tanto desabrochou
No profundo  ser, na minha imensidão


Clavio J. Jacinto

Aurora Presente


Um novo amanhecer
Um despertar para o caminho da vida
Os pássaros cantam
A celebração das coisas novas
Através do tempo, prosseguimos
Sempre colhendo oportunidades
Se as rosas nascem no jardim
As flores silvestres
Nascem no caminho
Cada despertar de uma nova aurora
Vem a chance de aprendermos
Um pouco mais sobre nossa existência

CJJ


sábado, 12 de novembro de 2016

Cura da Alma


Vem alma ferida
Ainda que com pouca vida
Vem!
Vem,  coração de dor
Ainda que suspira tanto
Vem!
Vem, com gritos
Vem com lamentos
Vem com anseios
Vem!
Ainda que arrastada
Sonhos desmoronados
Com espirito intranquilo
Vem!
Vem na certeza da cura
Vem, mesmo em amargura
Aos braços do Onipotente
Vem!
Vem, com angustia
choros despedaçados
Num canto desanimado
Mas vem!
Vem a Cristo, pobre alma
Vem ser por Ele curada
Vem!...

Clavio J. Jacinto

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Obra Prima


O amor
Obra prima
Que o coração
Anela

Porque o amor
Forja na alma
A mais terna
Esperança

E, como a flor
Se cala na noite
Fazendo adormecer
O perfume

O amor
Obra prima
Faz o coração
Pulsar em paz


Clavio J. Jacinto

Entrega


Tocarei na porta do amanhã
Entrarei nos seus átrios
Como o rio que se entrega ao mar
Unido num só ser
Eu entrego-me a eternidade


CJJ


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Preces da Dor


Ternas canções ouvi
Melodias de alvas luzes
Numa flor solitária
Nas nuvens e no pó
Asas de borboletas rosadas
Rios fluindo nas campinas
Pobre menino intranquilo!
Perdido nas lembranças
Corre solto nas palhas
Enquanto o sol vai embora
Escondendo o botão das flores
Nesse jardim transparente
Entre o passado e o presente
Pobre menino intranquilo!
Que chora o caminho perdido
Se ontem o fogo alumiava
Hoje consome a dor
A amargura do erro. ai! ai!
Sobre os  montes vem 
Preces de arrependimento

Clavio J. Jacinto

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Digo: de Passagem


Por onde passo ?
Eu passo pela vida
Com os pés nos luminares
Ancoras sem mares
Que firmam as pontes
Do amanhã

Por onde passo ?
Eu passo pela vida
No caminho solido do agora
Na outra metade da história
Que escrevo
Depois que a chuva passar

Por onde passo ?
Eu passo pelo caminho
Uma vida que guarda seus depósitos
Na margem de lá da esperança
Onde sou guardião
Das minhas douradas lamentações

Já passei, Vou embora
Pra sempre tu lembrarás
Que estava eu ao teu lado
Mas preferistes olhar
Para a tua pobre e incerta
Sombra

Clavio J. Jacinto