Desci ao deserto de tantas areias debulhadas
Sustentando o céu de estrelas acesas e espraiadas
Descalço eu descanso as minhas sandálias
Guardo a porta do coração, meros perfumes
O sândalo e as epopeias desses meus lírios
Bebo o cálice do vinagre, a alma minha, grita
Nesse vale de sal, o hálito é o vento brando
Um santo remédio esse silencio insólito
Que não perturba minha saga de ser
Quem fere-me, são esses espinhos infiéis
Vagos protetores dos limões amargos
Sou ente descalço, assolado por feras perfurações
Abraço a paciência e prossigo
Sou um pioneiro em caminhos, reinos de aflitos
Um herói sem medalhas, num campo sem batalhas
CJJ
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
A Alma e o Tempo
1-
O tempo me dá um pedaço do seu silencio
Um fio infinito da ausência de todas as coisas
As palavras não existem, ecos vazios
Paginas em branco puro do éter eterno
2-
Nas entranhas férteis da minha mente
As frações do nada repousam numa vereda invisível
O campo de todos os vácuos, sem lamentos
Universo transparente da magnitude do nada.
(Ilusão de nós mesmos, Deus é acima de tudo)
3-Um florescer de luz, um desabrochar de inspiração
O prisma que emerge do profundo de meu ser
Paginas escritas nas
paredes do universo
Substancias da imaginação, letras de fogo, sou poeta...
Ressurreição
Que sufoco essas paredes do tumulo escuro
Fortalezas que impedem a doce respiração
Fria é essa terra, esse silencio frio e sepulcral
Duro cimento, flores de mármore,
Quebra o silencio,a borboleta singela
O pássaro canta na arvore
A Cigarra de verão no jardim
Trombetas celestes revolvem os átomos da morte
Uma fusão do som eterno com o pó adormecido
Do vazio fúnebre renasce o ser
Libertando a vida para a imensidão da eternidade
CJJ
Amor e Gratidão
Abriu-se a porta do amanhecer
A luz em solenidade em meu ser
A alma da quietude dentro de mim
O fluir da admiração pelo mais sagrado
Prostro-me em reverencia, e proclamo o amor
Amor ao criador e sua sublime criação
Eu mesmo como uma parte da vida
Que as palavras ainda que tão breves
Sejam dentro de mim, a eterna gratidão
CJJ
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
O Recomeço de Todas as Coisas
O fim do entardecer
Não é o fim do tempo
É o fim do dia
Uma flor que murcha
Não é o fim da primavera
É apenas o fim de uma
estação
Um pirilampo que foi embora
Não é o fim das lampadas
Apenas o começo do amanhecer
Quando as estrelas vão embora
Não é o fim a noite
É a transformação dela em novo dia
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
Imago Pulvis (Imagem do Pó)
1-
Meu adorno é pó seco das campinas
Meu pão vem da alma da poeira
O trigo dourado que dorme no celeiro
Veio do seio da terra que labuta amoras
2-
Sou imagem dos grãos do barro
A terra é a seda da minha carne nua
Sou feito de lama viva e ressequida
Deposito de todas as emoções metafisicas
3-
A terra nobre sustenta minhas raízes
Oferece flores e perfumes aos lamentos meus
Sou fraco mas a argila é forte
Consegue sobreviver depois de ferido pelo arado
4-
Sou mil pedaços de poeira suspensa
Como uma montanha desesperada num tremor
Meu coração bate forte na face dos tijolos
Um tremor de medo, dentro de mim, um terremoto.
Clavio J. Jacinto
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
O Preço do Amor
Andei pelos espinhos do caminho
Ferido no coração, em busca de afeto
Procurei nas salas da noite
Nos antros de uma madrugada
Que o amor merece ser procurado
Não há duvida, não suporto a solidão
Vou entre os valados e trincheiras
Sofrer solitário de sentimentos, o coração
As pedras cortam a dor do meu ser
Espadas de dificuldades ferem o sentimento
Quão vazia é tarde sem caridades
O vento faz minha alma se secar
Andei descalço entre pedras, persistindo
Até encontrar ao custo de pérolas finas, esse dom
Ah! o amor é um sentimento muito caro
Porque exige em troca, toda nossa confiança
Clavio J. Jacinto
Ferido no coração, em busca de afeto
Procurei nas salas da noite
Nos antros de uma madrugada
Que o amor merece ser procurado
Não há duvida, não suporto a solidão
Vou entre os valados e trincheiras
Sofrer solitário de sentimentos, o coração
As pedras cortam a dor do meu ser
Espadas de dificuldades ferem o sentimento
Quão vazia é tarde sem caridades
O vento faz minha alma se secar
Andei descalço entre pedras, persistindo
Até encontrar ao custo de pérolas finas, esse dom
Ah! o amor é um sentimento muito caro
Porque exige em troca, toda nossa confiança
Clavio J. Jacinto






