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sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Sentinela do Silêncio

 Sentinela do Silêncio 



Observo com admiração o silêncio que emana da minha saudade. Permaneço atento e vigilante, aguardando o despertar da minha consciência, a fim de que, na profundidade da ausência de palavras, eu possa me reencontrar.

Contemplando o mar sereno, observo as nuvens silenciosas deslizarem sobre mim. Nesse estado, percebo as lacunas do meu coração, ancorado neste refúgio. Inseguro, navego pelos caminhos da vida.

Na alvorada, como sentinela, anseio pela paz e tranquilidade, aspirações universais da humanidade. Apesar de trilhar caminhos que, por vezes, parecem conduzir ao vazio, persisto em minha jornada. Mesmo sob o peso do cansaço, mantenho a busca incessante pelo significado da existência, almejando a compreensão de sua essência.

Aprecio a atmosfera deste jardim. A vista para o horizonte, onde o cume evoca lembranças preciosas. Contemplando a paisagem, meus olhos e meu coração se perdem nas planícies de meus sonhos.

Minha jornada destemida é notável, um percurso em busca de significado para minha existência. Se não fosse pela intensidade da dor, poderia afirmar com convicção que encontrei, em meu caminho, algo de valor inestimável.


C.J. Jacinto



quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Tempos e Tempestades

 



Em momentos de desorientação, aliado ao tempo implacável, percorro as ondulações de paisagens interiores que se desfazem como um mar de vidro. Um temor fausto intranquilo enfim...



Solitário e unilateral, um sonho que se manifesta nas vertigens da minha imaginação. Contemplo o horizonte, a linha do infinito, e me vejo a percorrer o nada, a imaginação imersa em mim mesmo.



Em meio a estas terras de constante mudança, sonho como se fosse uma parte de mim mesmo, separada. Como uma alma errante, busco a união com meu ser, a minha forma, e a compreensão do medo que reside em mim, assim como a natureza efêmera da existência. Pergunto-me...



A turbulência interna, como uma sombra persistente, obscurece a ligação entre a razão e a emoção, afetando profundamente meu ser e conduzindo-o a um estado de desespero. Sinto-me desorientado, sem rumo, e as lágrimas brotam, enquanto meus lamentos ecoam nessa vastidão.



Sinto o sopro de um vento forte, vindo do norte, que dissipa as nuvens escuras que pairavam sobre mim, obscurecendo a noite. Observando, além das montanhas, seus picos e cumes tingidos de vermelho percebi, transcendendo minhas próprias ilusões, a realidade, a estrela da manhã. Sinto-me seguro.


C J. Jacinto


sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Consolação

Consolação

 

Vidas que se perdem na dor
Nos áridos caminhos onde falta o amor.
Sublimes palavras não bastam a consolar
Quem, em preces profundas, só sabe chorar.

Gritos eternos de desolação
Sobre campos minados da doce ilusão;
A névoa da vida passa sem cessar,
E os que restam clamam em lamento e agonia.

Voz atroz que sobe do leito das almas,
Nesse aperto, porém, nunca perde a calma;
Esmagada, a vida se dobra à tortura e aflição —
Sofrer em oração torna-se a causa e a razão.

Das lápides frias não vem consolação,
Mas roturas de mágoa e desolação.
Clama a Deus lá do fundo das profundezas finais,
Como âncoras que seguras as naus nos cais.

Do alto, chega enfim o socorro eternal
À peregrina alma que busca o celestial.
Vem, meu Deus, consolar esses pobres mortais,
Para que em Ti possam, ainda mais, confiar.

 

C. J. Jacinto